Mostrando postagens com marcador Literatura Brasileira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Literatura Brasileira. Mostrar todas as postagens

14 de abr. de 2014

O Mel de Ocara - Ler, viajar, comer - Ignácio de Loyola Brandão






Meu primeiro contato com as letras do Brandão foi em 2003, quando caiu em minhas mãos o primeiro romance dele que li: "O beijo não vem da boca". Lembro que esse título me deixou elétrica e o li com uma voracidade deliciosa. Ignácio de Loyola Brandão nasceu em Araraquara, São Paulo há quase 78 anos e é um dos mais bem sucedidos escritores brasileiros com 40 livros lançados e muitos quilômetros rodados por esse Brasil e mundo a fora! 

10 de ago. de 2013

Resenha: As Meninas - Lygia Fagundes Telles





Ao final de 2012 eu fiz uma espécie de planejamento visando ler em 2013 alguns autores dos quais nunca tinha lido nenhuma obra, e entre eles figura a escritora brasileira Lygia Fagundes Telles. Resolvi começar pelo seu primeiro romance, A Ciranda de Pedra, como intuito de acompanhar a Nádia Lima, do vlog Mil Folhas, em sua leitura cronológica das obras da autora. No entanto, a autora escolhida para ser lida pelos participantes do Fórum Entre Pontos e Vírgulas no mês de julho foi justamente a paulistana Lygia, então parei com a leitura para esperar pelo resultado da enquete, que teve o livro As Meninas como o mais votado e escolhido para a leitura comentada do mês de julho.

20 de jul. de 2013

Resenha: Dois Irmãos - Milton Hatoum





Há livros que entram em nossa vida e nos trazem tanta coisa e nos diz tanto que ao tentar falar sobre ele tudo foge, mas não por falta de palavras, ao contrário, por haver muito o que dizer em tão pouco espaço. esse é o caso de Dois Irmãos, do brasileiro Milton Hatoum,  que ganhei de presente de aniversário da minha irmã Bia.

A escrita do Hatoum me pegou de jeito, e enlaçou-me de forma a nunca mais me soltar! Ele tem uma escrita densa, de linguagem que não é poética mas transpira poesia em imagens e entrelinhas; é extremamente envolvente e nos faz mergulhar no prazer de uma literatura de primeira, daquelas que a gente lê e fica com medo de ler qualquer coisa depois, já que o risco de se decepcionar com o próximo lido é grande!

O romance é um  intricado labirinto de acontecimentos e emoções! Tem como base, como o próprio título já diz, a história de dois irmãos gêmeos, Yaqub e Omar, pertencentes a uma família de origem libanesa que vive na Manaus do início do século XX. Eles são extremamente opostos e desde a infância desenvolvem uma rivalidade que culmina num ódio violento e que, para tristeza de toda a família, atinge à todos.

O enredo é cíclico, e o autor costura, alinhava muito bem o tempo real e as reminiscências do narrador, cujo nome descobriremos ao final do romance, bem como o que vai sendo revelado e encoberto pela trama. O ponto de partida para a história, que logo de início nos fala da morte de Zana, a matriarca da família, se dá efetivamente com a narração da vida e da história de amor entre Halim, um mascate libanês, que se apaixona por Zana, filha de outro libanês, dono de um restaurante. Uma história de amor intensa, fogosa e que não tinha muito de reservado.

Vi Halim e Zana de pernas para o ar, entregues a lambidas e beijos danados, cenas que eu via quando tinha dez, onze anos e que me divertiam e me assustavam, porque Halim soltava urros e gaitadas, e ela, Zana, com aquela cara de santa no café da manhã, era uma diaba na cama, um vulcão erotizado até o dedo mindinho.


Dessa união nascem, à contragosto de Halim, que não tinha a menor vontade de dividir o amor de sua mulher com ninguém, os gêmeos Yaqub e Omar (o caçula, por ter nascido por último) e Rânia. depois que os filhos nascem, Halim se sente cada vez mais deixado de lado por Zana, pois está devota um amor quase obsessivo pelos filhos, principalmente por Omar, o caçula, por sua "frágil saúde". Já na infância ocorrem os primeiros conflitos entre os irmãos, e por volta dos 13 anos de idade a pior das brigas será provocada por um amor em comum. Omar, enciumado por sentir-se preterido, acaba atingindo o rosto de Yaqub com uma garrafa quebrada, deixando uma cicatriz que marcaria, para sempre, o ódio entre os irmãos. 

Na tentativa de evitar um conflito ainda maior entre os filhos, Halim resolve enviar um deles, com amigos, para passar um tempo com sua família no Líbano. Mas o apego exagerado de Zana pelo caçula Omar, faz com que ela o proteja, enviando assim, Yakub, que passará 5 anos remoendo a preterição da mãe, passando privações, até que a família mandará buscá-lo. De volta à Manaus, não consegue perdoar a mãe por não tê-lo escolhido, nem se mostra capaz de conviver com o excesso de proteção dela para com o irmão, e torna-se cada dia o mais esquivo dos filhos, apesar de sua bela aparência e de seu ar sedutor. E a cada dia que passa a rivalidade entre os dois é acirrada, e com isso a relação de todos os familiares e agregados da casa são moldados com a mão pungente desse ódio fraterno. Enquanto Yaqub se esforça e se destaca nos estudos e profissionalmente, Omar segue o caminho oposto, tornando-se um boêmio, dependente, incondicional do amor e proteção da mãe, que irá sempre rivalizar com as mulheres que aparecerão na vida do caçula.

Há em Dois Irmãos uma gama de personagens fortes e tão bem construídos que não há como deixar de lado suas personalidades e suas tramas, no entanto, falar um pouco mais sobre cada uma delas é falar de partes importantes do enredo e quebrar o encanto da futura leitura. Vamos conhecer Domingas, a empregada-índia, órfã e ex-interna de um colégio de freiras e mãe do narrador Nael, que também iremos conhecendo aos poucos, de acordo com a narração de suas horas de conversas, ouvindo as confidências do velho Halim. E ainda há a irmã caçula, Rânia, que acalenta uma relação quase incestuosa, entre afetuosa e sensual, com os  irmãos, que seriam, aparentemente, cópias perfeitas do seu parceiro ideal:

Omar reaparecia, de carne e osso, sorrindo cinicamente para a irmã. Sorria, fazia-lhe cócegas nos quadris, nas nádegas, uma das mãos tateava-lhe o vão das pernas. Rânia suava, se eriçava e se afastava do irmão, chispando para o quarto ...   
Como ela se tornava sensual na presença de um irmão! Com esse ou com o outro formava um par promissor... Rânia, não a mãe, ganhou os melhores presentes dele (Yaqub)... Ainda chovia muito quando a vi subir as escadas, de mãos dadas com Yaqub; entraram no quarto dela, alguém fechou a porta e nesse momento minha imaginação correu solta.

E como a história se passa no final dos anos 60, Hatoum não deixa de inserir  fatos que falam de política, da ditadura militar, narrando, mesmo que de forma rápida, sobre as tropas do exército pelas ruas, a censura dos meios de comunicação e o assassinato, em janeiro de 1964, do professor de francês, o poeta Laval, cujo passado estava ligado ao Partido Comunista.

Ao lermos Dois Irmãos, é impossível não associarmos às lembranças que temos, da criação católica, de Caim e Abel, bem como de Esaú e Jacó. Vemos em Zana, a encarnação da personagem bíblica , Rebeca, mãe dos gêmeos Esaú e Jacó, que também prefere um filho ao outro, e cuja a rivalidade será praticamente eterna.

Há no romance uma riqueza tão grande de detalhes, uma elegância e consistência que fazem dessa obra um verdadeiro tratado das relações humanas, um verdadeiro clássico que deve ser devidamente apreciado por todos! Ao findar a leitura, num suspiro, fiquei a ouvir a voz de Nael, e acalentando um desejo tão grande de abraçá-lo e encher sua vida de poesia e belezas... 


♥♥♥♥♥





Título: Dois Irmãos
Autor: Milton Hatoum
Editora: Companhia das Letras - selo Companhia de Bolso
Ano: 2006
Número de páginas: 198




22 de abr. de 2013

Resenha, ou quase: Gonzos e parafusos - Paula Parisot





Já não sei dizer se são os livros com certas temáticas mais densas que estão no meu encalço, ou se sou eu que, até mesmo inconsciente, precise procurar por eles.

Desta feita o tema da loucura ou de algum tipo de insanidade caiu novamente em minhas mãos pelo exemplar do 2º livro publicado pela Paula Parisot, Gonzos e parafusos, que teve inclusive, um lançamento mega badalado, porque a autora se enclausurou num quarto de acrílico dentro da livraria por 7 dias e noites, para viver a experiência de sua protagonista.

O mote de Gonzos e parafusos nos faz mergulhar num mundo introspectivo e margeado pela loucura. A narrativa é em primeira pessoa e não é nada sequencial, ao contrário, são feitas através de digressões da autora, como um diário aleatório de uma psicanalista, que além de pouco ética, pois dá apelido aos seus pacientes de acordo com seus respectivos problemas, ela é também uma suicida fracassada, uma automutiladora.

Isabela, a protagonista, desde cedo se viu mergulhada em desesperos, angústias, solidões e depressões, e, como autoterapia, procurou abrigo nas artes e na literatura, o que tenta justificar as muitas referências intelectuais e artísticas da obra.

O livro chega quase ao pedantismo em alguns pontos, com suas muitas citações e descrições de obras de arte, haja visto que uma das obras de Klimt é a verdadeira obsessão de Isabela, mas não deixa de ser um soco no estômago e de nos levar a refletir, a mergulhar com Isabela nesse mundo de introspecção. A escrita da Paula é fácil e flui, mas eu não consegui me conectar ao livro, acho que estou numa fase de muito bom humor, de extroversão maravilhosa e que se recusou a nublar pra esse mergulho noturno.


♥♥♥


Título: Gonzos e parafusos
Autora: Paula Parisot
Editora Leya Brasil
Número de páginas: 170
Ano: 2010




5 de abr. de 2013

Resenha [?!]: O Sonâmbulo Amador - José Luiz Passos




“ Quem quiser, faça uma coisa. Diante do espelho, olhe nos olhos e repita duas ou três vezes aquele seu nome de infância. Jura, Jura, isto no meu caso. Vão e façam igual, qualquer coisa lá dentro se abre. Na vertigem dessa palavra vão voltar, tenho certeza, de bem longe as cenas de um tempo adormecido, o começo das coisas, momentos que passaram sem se fazer notar, com gente que não nos pedia nada em troca. Eram apenas o que eram. E não deixa de ser incrível que uma centelha disso tudo sobreviva nas meras cinzas de um mero apelido defasado…”


Se há uma leitura que queria muito fazer esse ano foi a do segundo romance do pernambucano José Luiz passos, O Sonâmbulo Amador. Entretanto a escolha do momento não foi a mais adequada e eu sofri!
Sofri porque não conseguia respirar em meus mergulhos no mar de sonhos, devaneios, lembranças e realidades impregnadas de rotina do personagem Jurandir. Mas ao mesmo tempo que não respirava e me agoniava, eu não queria desistir, não queria parar...

E não parei! Entre golfadas e lufadas de ar, em agonia e prazer, consegui terminar de lê-lo... Mas vir aqui e falar dele não foi nada fácil. Não por ser um livro difícil, não é esse o caso, mesmo sendo um pouco sim pela forma narrativa, onde delinear o que é sonho, delírio e realidade é extremamente complicado, mas ao mesmo tempo, e o que eu achei a tacada de mestre do autor, foi nos fazer conhecer o Jurandir à medida que ele mesmo retornava a si e se fazia conhecer aos outros personagens.

O Sonâmbulo Amador, é narrado em primeira pessoa, e é composto por 4 cadernos e um anexo, digamos assim, que o próprio Jurandir escreve durante o tempo em que vive num sanatório, ao qual é levado depois de atear fogo ao carro da empresa, numa viagem que fazia à Recife, para tratar do caso de um rapaz que acidentou-se na tecelagem que Jurandir também trabalha.
À medida que Jurandir vai relatando em seus cadernos suas lembranças, sonhos, seu passado e presente, como recomendação do psiquiatra Dr. Ênio, acaba por fazer um balanço do seu casamento, da relação com a amante, do seu acidente na infância, o acidente no qual perdera seu único filho. E é nesse vai e vem que ele se contradiz e reinventa-se ao longo de sua narrativa.

E sim, o sonâmbulo do título permeia toda a vida de Jurandir, é a sua própria vida, não só no que tange ao fato de estar entre o sono e a vigília,  mas também atado ao mecanicismo de uma vida rotineira, num verdadeiro automatismo burocrático.

José Luiz Passos se mostrou, a mim, de uma habilidade incrível em narrar histórias! Ainda mais uma recheada de tantas idas e vindas no tempo, na memória e na vida. Tudo na obra é bem pontuado, colocado em lugar no devido tempo, e o que nos afigura desde o início como confuso se revela, enfim, como pura reflexão.




♥♥♥♥♥

Título: O sonâmbulo amador :::
Autor: José Luiz Passos :::
Editora e ano: Alfaguara, 2012,
Número de páginas: 248



7 de fev. de 2013

Vídeo-Resenha: Histórias de Literatura e Cegueira - Julián Fucks




Mais uma super leitura que acabei por fazer só o vídeo com as minhas impressões.
Não deixem de ver e principalmente de ler, pois Julián Fucks é um excelente escritor e o livro vale demais!
E se ainda não conhece meu canal no youtube, aproveite pra se inscrever, ficarei bem feliz! ;oD



HISTORIAS DE LITERATURA E CEGUEIRA
Autor: FUKS, JULIAN
Editora: RECORD
Assunto: LITERATURA BRASILEIRA - CONTOS E CRÔNICAS
ISBN: 850107943x
ISBN-13: 9788501079435
Idioma: português
Encadernação: Brochura
Edição: 1ª
Ano de Lançamento: 2007
Número de páginas: 160




23 de jan. de 2013

Resenha: Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios



"Numa cidade de garimpo do pará, conflagrada pelas tensões de uma corrida do ouro, um fotógrafo vive uma paixão clandestina com uma mulher misteriosa e sedutora. Mesmo sabendo dos riscos do jogo, ele decide ir até o fim - e agora está de volta para relatar o que viveu."
Sinopse na contra-capa do livro.



Marçal Aquino não é um mero estreante escritor brasileiro, ao contrário, é jornalista, roteirista e escritor bastante conhecido; eu é que, sem ainda entender como, ainda não tinha lido nada sobre ele e ou suas obras.
O meu primeiro contato com o nome Marçal de Aquino foi através de uma entrevista onde a atriz Camila Pitanga fala sobre o filme Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios, do qual é a protagonista. Fiquei extremamente interessada pela história e resolvi que veria o filme tão logo chegasse aos cinemas da minha cidade, se chegasse! Mas quando ela mencionou que o filme fora baseado no livro homônimo de Marçal de Aquino, aí sim meus olhinhos brilharam, e tudo ficou ainda melhor!
Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios, é um título que por si só já nos remete ao passional; é lindo e atraente, nos pega pela mão com a promessa de nos proporcionar um entretenimento de qualidade ímpar, de puro prazer e deleite. E assim ele se cumpre!
A história se trata da paixão avassaladora entre Cauby, um fotógrafo quarentão, bonito, sedutor, inteligente, que adora música clássica e tem uma plantação de maconha no quintal de sua casa; e Lavínia, uma mulher sedutora, casada, misteriosa, cíclica e que se entrega sem reservas a essa relação visceral e única. Lavínia é casada com o pastor evangélico Ernani, um personagem que, a princípio, parece bastante alheio e fora do contexto da obra, mas é só aparência. O romance ainda tem como cenário uma cidade pequena do Estado do Pará, onde a tensão entre mineradoras e garimpeiros é praticamente palpável, devido a mais uma “corrida do ouro”. Cauby e Lavínia se conhecem na loja de Chang, um pedófilo que é o dono da única loja de artigos fotográficos da cidade, onde costuma se divertir e fotografar meninos que seduz.
                A narrativa criada por Marçal Aquino é crua, mas no sentido de ser natural, direta e simples, sem firulas nem rodeios, onde o lirismo de muitas passagens dialoga perfeitamente com o chulo, o vulgar de outras. O romance é narrado no presente, mas não é, digamos, sequencial. Aquino nos leva adiante e retrocede como se estivéssemos na mente de Cauby; permitindo-nos ver relances do que acontecerá e do que se passou com os personagens, nos deixando sempre intrigados e em suspense para realmente chegarmos ao clímax da obra! Ele ainda amarra muito bem a narrativa com as inúmeras citações do filósofo Schianberg, que é um filósofo fictício, mas bem que torci pra ser real e publicado! 
O livro é dividido em quatro partes com subtítulos tão bons quanto o título: "O amor é sexualmente transmissível", "Carne-viva", "Postais de Sodoma à luz do primeiro fogo" e “Poema escrito com bile”. Quase todos os capítulos são narrados pela voz do Cauby, com exceção de “Carne-viva”, que nos é apresentado por um narrador onisciente.
Em "O amor é sexualmente transmissível", a narração tem um tom urgente, quente onde a paixão de Cauby e Lavínia é quase palpável. No entanto, Lavínia ainda se afigura como uma incógnita; e a vontade de sabermos mais sobre ela nos assoma de tal forma que quase nubla a apresentação de outros personagens tão interessantes, como o Careca [Altino], que relata toda noite seu amor platônico por Marinês; o menino, que fica sempre escutando as histórias do Careca e diz que escreverá um livro; a dona da pensão, a Dona Jane, entre outros. E a presença de Ernani, marido de Lavínia, é praticamente ignorada.
No entanto é na segunda parte do romance que o pastor Ernani toma forma diante de nossos olhos; e também  nos é apresentada, de uma forma direta e sem rodeios, a “verdadeira” Lavínia.  Toda a sua triste história se desenrola aos nossos olhos que se inundam a cada página. É muita dor, solidão e violência para uma única pessoa suportar, então fica um pouco mais claro o porquê de Lavínia ser “dupla”! A partir de toda essa apresentação, é que vemos também o relacionamento de Ernani e Lavínia se desenrolar, e não há como nos permitir o engodo, nada é somente gratidão nesse romance, muito menos a relação desse casal.
Nesse capítulo ainda perceberemos que a estrutura narrativa muda um pouco; nos diálogos não há o costumeiro travessão, mas nada que atrapalhe a leitura, ao contrário, é um recurso que nos permite interagir ainda mais com a obra, pois os diálogos são construídos de forma surpreendente!
Nas duas últimas partes de Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios, nos vemos diante de mudanças nos relacionamentos, que se afiguram primeiramente sutis, como em todo              início de relacionamento e que vão ganhando proporções cada vez maiores e mais urgentes. É aqui que percebemos os ciúmes de Cauby, a necessidade de ficar cada vez mais perto de Lavínia, e a sua resolução em se afastar, numa espécie de lampejo de razão diante de toda anunciação da provável tragédia, que, por sinal, ele anuncia logo na primeira página do romance.
Ainda é nesse ponto da obra que percebemos, diante de tantos personagens intrigantes, intensos e tão incrivelmente construídos, que não há heróis nem vilões, que tudo o que cerca o romance é a pura realidade humana, com sua crueza e leveza, defeitos e virtudes convivendo em quase harmonia; onde o destino é quem os enlaça e os tange pelos caminhos, mesmo que sejam diferentes e cada um, em separado, seguindo o seu. O final do livro, mesmo diante de tanta anunciação, é surpreendente e nos deixa ainda mais encantados!
Há em Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios tantos detalhes, paradoxos e entrelinhas que é quase impossível falar dele sem comprometer o enredo. É simplesmente uma obra incrível e que deve ser lida com paixão, com tempo e que seja infinita, mesmo que a sua leitura dure apenas um dia, com o perdão do trocadilho! ;oD



Veja também o vídeo, onde tento falar acerca das minhas impressões! ;oD


Título: Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios
Autor: Marçal Aquino
Capa: Kiko Farkas / Máquina Estúdio e Elisa Cardoso/ Máquina Estúdio
Páginas: 232
Formato: 14.00 x 21.00 cm
Acabamento: Brochura
Lançamento: 31/10/2005
ISBN: 9788535907360
Selo: Companhia das Letras


1 de jul. de 2012

Minhas Querências... Lançamentos da Bertrand Brasil


Carpinejar lança, pela primeira vez, um livro de crônicas temático. Em Ai meu Deus, Ai meu Jesus, ele trata de assuntos e situações relacionadas a amor e sexo.

Elena está insatisfeita com a vida que leva e com a mulher em que se transformou. Casada com Paolo, ela se vê presa a um relacionamento que há muito se tornou apenas uma sombra da rotina, totalmente destituído de paixão. Nas páginas de um diário, narra a lenta e dolorosa transformação desse amor, outrora carnal, em algo diferente – um sentimento feito de laços fraternais – e da criança decidida e segura de si na mulher insípida e desamparada.

O título foi escolhido pela maneira como Castello encara seu trabalho crítico. As “feridas” se referem às marcas, cicatrizes, golpes, que as diversas leituras provocam nele. Segundo o próprio autor, ele não faz uma leitura teórica. Escrever sobre um livro não para aplicar teorias, mas como alguém que viajasse a um continente distante e, na volta – isto é, finda a leitura – faz um relato de suas observações pessoais a respeito da viagem.
Essa é a ideia central que permeia e liga todo o livro. Ele é também um registro de seu trabalho jornalístico nas páginas do Globo, Valor Econômico, Bravo, Rascunho, entre outros. Castello, delicia-se em trabalhar com jornalismo literário – um tipo de jornalismo que, mais que os fatos, importam os pensamentos.






21 de jun. de 2012

Conto: Missa do Galo - Machado de Assis



Uma  singela homenagem aos 173 anos de nascimento de Machado de Assis, segue meu conto favorito!♥


Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu dezessete, ela trinta. Era noite de Natal. Havendo ajustado com um vizinho irmos à missa do galo, preferi não dormir; combinei que eu iria acordá-lo à meia-noite.



A casa em que eu estava hospedado era a do escrivão Meneses, que fora casado, em primeiras núpcias, com uma de minhas primas A segunda mulher, Conceição, e a mãe desta acolheram-me bem quando vim de Mangaratiba para o Rio de Janeiro, meses antes, a estudar preparatórios. Vivia tranqüilo, naquela casa assobradada da Rua do Senado, com os meus livros, poucas relações, alguns passeios. A família era pequena, o escrivão, a mulher, a sogra e duas escravas. Costumes velhos. Às dez horas da noite toda a gente estava nos quartos; às dez e meia a casa dormia. Nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer ao Meneses que ia ao teatro, pedi-lhe que me levasse consigo. Nessas ocasiões, a sogra fazia uma careta, e as escravas riam à socapa; ele não respondia, vestia-se, saía e só tornava na manhã seguinte. Mais tarde é que eu soube que o teatro era um eufemismo em ação. Meneses trazia amores com uma senhora, separada do marido, e dormia fora de casa uma vez por semana. Conceição padecera, a princípio, com a existência da comborça; mas afinal, resignara-se, acostumara-se, e acabou achando que era muito direito.

Boa Conceição! Chamavam-lhe "a santa", e fazia jus ao título, tão facilmente suportava os esquecimentos do marido. Em verdade, era um temperamento moderado, sem extremos, nem grandes lágrimas, nem grandes risos. No capítulo de que trato, dava para maometana; aceitaria um harém, com as aparências salvas. Deus me perdoe, se a julgo mal. Tudo nela era atenuado e passivo. O próprio rosto era mediano, nem bonito nem feio. Era o que chamamos uma pessoa simpática. Não dizia mal de ninguém, perdoava tudo. Não sabia odiar; pode ser até que não soubesse amar.

Naquela noite de Natal foi o escrivão ao teatro. Era pelos anos de 1861 ou 1862. Eu já devia estar em Mangaratiba, em férias; mas fiquei até o Natal para ver "a missa do galo na Corte". A família recolheu-se à hora do costume; eu meti-me na sala da frente, vestido e pronto. Dali passaria ao corredor da entrada e sairia sem acordar ninguém. Tinha três chaves a porta; uma estava com o escrivão, eu levaria outra, a terceira ficava em casa.

— Mas, Sr. Nogueira, que fará você todo esse tempo? perguntou-me a mãe de Conceição.

— Leio, D. Inácia.

Tinha comigo um romance, Os Três Mosqueteiros, velha tradução creio do Jornal do Comércio. Sentei-me à mesa que havia no centro da sala, e à luz de um candeeiro de querosene, enquanto a casa dormia, trepei ainda uma vez ao cavalo magro de D'Artagnan e fui-me às aventuras. Dentro em pouco estava completamente ébrio de Dumas. Os minutos voavam, ao contrário do que costumam fazer, quando são de espera; ouvi bater onze horas, mas quase sem dar por elas, um acaso. Entretanto, um pequeno rumor que ouvi dentro veio acordar-me da leitura. Eram uns passos no corredor que ia da sala de visitas à de jantar; levantei a cabeça; logo depois vi assomar à porta da sala o vulto de Conceição.

— Ainda não foi? perguntou ela.

— Não fui, parece que ainda não é meia-noite.

— Que paciência!

Conceição entrou na sala, arrastando as chinelinhas da alcova. Vestia um roupão branco, mal apanhado na cintura. Sendo magra, tinha um ar de visão romântica, não disparatada com o meu livro de aventuras. Fechei o livro, ela foi sentar-se na cadeira que ficava defronte de mim, perto do canapé. Como eu lhe perguntasse se a havia acordado, sem querer, fazendo barulho, respondeu com presteza:

— Não! qual! Acordei por acordar.

Fitei-a um pouco e duvidei da afirmativa. Os olhos não eram de pessoa que acabasse de dormir; pareciam não ter ainda pegado no sono. Essa observação, porém, que valeria alguma cousa em outro espírito, depressa a botei fora, sem advertir que talvez não dormisse justamente por minha causa, e mentisse para me não afligir ou aborrecer Já disse que ela era boa, muito boa.

— Mas a hora já há de estar próxima, disse eu.

— Que paciência a sua de esperar acordado, enquanto o vizinho dorme! E esperar sozinho! Não tem medo de almas do outro mundo? Eu cuidei que se assustasse quando me viu.

— Quando ouvi os passos estranhei: mas a senhora apareceu logo.

— Que é que estava lendo? Não diga, já sei, é o romance dos Mosqueteiros.

— Justamente: é muito bonito.

— Gosta de romances?

— Gosto.

— Já leu a Moreninha?

— Do Dr. Macedo? Tenho lá em Mangaratiba.

— Eu gosto muito de romances, mas leio pouco, por falta de tempo. Que romances é que você tem lido?

Comecei a dizer-lhe os nomes de alguns. Conceição ouvia-me com a cabeça reclinada no espaldar, enfiando os olhos por entre as pálpebras meio-cerradas, sem os tirar de mim. De vez em quando passava a língua pelos beiços, para umedecê-los. Quando acabei de falar, não me disse nada; ficamos assim alguns segundos. Em seguida, vi-a endireitar a cabeça, cruzar os dedos e sobre eles pousar o queixo, tendo os cotovelos nos braços da cadeira, tudo sem desviar de mim os grandes olhos espertos.

"Talvez esteja aborrecida", pensei eu.

E logo alto:

— D. Conceição, creio que vão sendo horas, e eu...

— Não, não, ainda é cedo. Vi agora mesmo o relógio, são onze e meia. Tem tempo. Você, perdendo a noite, é capaz de não dormir de dia?

— Já tenho feito isso.

— Eu, não, perdendo uma noite, no outro dia estou que não posso, e, meia hora que seja, hei de passar pelo sono. Mas também estou ficando velha.

— Que velha o que, D. Conceição?

Tal foi o calor da minha palavra que a fez sorrir. De costume tinha os gestos demorados e as atitudes tranqüilas; agora, porém, ergueu-se rapidamente, passou para o outro lado da sala e deu alguns passos, entre a janela da rua e a porta do gabinete do marido. Assim, com o desalinho honesto que trazia, dava-me uma impressão singular. Magra embora, tinha não sei que balanço no andar, como quem lhe custa levar o corpo; essa feição nunca me pareceu tão distinta como naquela noite. Parava algumas vezes, examinando um trecho de cortina ou concertando a posição de algum objeto no aparador; afinal deteve-se, ante mim, com a mesa de permeio. Estreito era o círculo das suas idéias; tornou ao espanto de me ver esperar acordado; eu repeti-lhe o que ela sabia, isto é, que nunca ouvira missa do galo na Corte, e não queria perdê-la.

— É a mesma missa da roça; todas as missas se parecem.

— Acredito; mas aqui há de haver mais luxo e mais gente também. Olhe, a semana santa na Corte é mais bonita que na roça. S. João não digo, nem Santo Antônio...

Pouco a pouco, tinha-se reclinado; fincara os cotovelos no mármore da mesa e metera o rosto entre as mãos espalmadas. Não estando abotoadas as mangas, caíram naturalmente, e eu vi-lhe metade dos braços, muito claros, e menos magros do que se poderiam supor.

A vista não era nova para mim, posto também não fosse comum; naquele momento, porém, a impressão que tive foi grande. As veias eram tão azuis, que apesar da pouca claridade, podia, contá-las do meu lugar. A presença de Conceição espertara-me ainda mais que o livro. Continuei a dizer o que pensava das festas da roça e da cidade, e de outras cousas que me iam vindo à boca. Falava emendando os assuntos, sem saber por que, variando deles ou tornando aos primeiros, e rindo para fazê-la sorrir e ver-lhe os dentes que luziam de brancos, todos iguaizinhos. Os olhos dela não eram bem negros, mas escuros; o nariz, seco e longo, um tantinho curvo, dava-lhe ao rosto um ar interrogativo. Quando eu alteava um pouco a voz, ela reprimia-me:

— Mais baixo! mamãe pode acordar.

E não saía daquela posição, que me enchia de gosto, tão perto ficavam as nossas caras. Realmente, não era preciso falar alto para ser ouvido: cochichávamos os dois, eu mais que ela, porque falava mais; ela, às vezes, ficava séria, muito séria, com a testa um pouco franzida. Afinal, cansou, trocou de atitude e de lugar. Deu volta à mesa e veio sentar-se do meu lado, no canapé. Voltei-me e pude ver, a furto, o bico das chinelas; mas foi só o tempo que ela gastou em sentar-se, o roupão era comprido e cobriu-as logo. Recordo-me que eram pretas. Conceição disse baixinho:

— Mamãe está longe, mas tem o sono muito leve, se acordasse agora, coitada, tão cedo não pegava no sono.

— Eu também sou assim.

— O quê? perguntou ela inclinando o corpo, para ouvir melhor.

Fui sentar-me na cadeira que ficava ao lado do canapé e repeti-lhe a palavra. Riu-se da coincidência; também ela tinha o sono leve; éramos três sonos leves.

— Há ocasiões em que sou como mamãe, acordando, custa-me dormir outra vez, rolo na cama, à toa, levanto-me, acendo vela, passeio, torno a deitar-me e nada.

— Foi o que lhe aconteceu hoje.

— Não, não, atalhou ela.

Não entendi a negativa; ela pode ser que também não a entendesse. Pegou das pontas do cinto e bateu com elas sobre os joelhos, isto é, o joelho direito, porque acabava de cruzar as pernas. Depois referiu uma história de sonhos, e afirmou-me que só tivera um pesadelo, em criança. Quis saber se eu os tinha. A conversa reatou-se assim lentamente, longamente, sem que eu desse pela hora nem pela rnissa. Quando eu acabava uma narração ou uma explicação, ela inventava outra pergunta ou outra matéria e eu pegava novamente na palavra. De quando em quando, reprimia-me:

— Mais baixo, mais baixo...

Havia também umas pausas. Duas outras vezes, pareceu-me que a via dormir; mas os olhos, cerrados por um instante, abriam-se logo sem sono nem fadiga, como se ela os houvesse fechado para ver rnelhor. Uma dessas vezes creio que deu por mim embebido na sua pessoa, e lembra-me que os tornou a fechar, não sei se apressada ou vagarosamente. Há impressões dessa noite, que me aparecem truncadas ou confusas. Contradigo-me, atrapalho-me. Uma das que ainda tenho frescas é que em certa ocasião, ela, que era apenas simpática, ficou linda, ficou lindíssima. Estava de pé, os braços cruzados; eu, em respeito a ela, quis levantar-me; não consentiu, pôs uma das mãos no meu ombro, e obrigou-me a estar sentado. Cuidei que ia dizer alguma cousa; mas estremeceu, como se tivesse um arrepio de frio voltou as costas e foi sentar-se na cadeira, onde me achara lendo. Dali relanceou a vista pelo espelho, que ficava por cima do canapé, falou de duas gravuras que pendiam da parede.

— Estes quadros estão ficando velhos. Já pedi a Chiquinho para comprar outros.

Chiquinho era o marido. Os quadros falavam do principal negócio deste homem. Um representava "Cleópatra"; não me recordo o assunto do outro, mas eram mulheres. Vulgares ambos; naquele tempo não me pareciam feios.

— São bonitos, disse eu.

— Bonitos são; mas estão manchados. E depois francamente, eu preferia duas imagens, duas santas. Estas são mais próprias para sala de rapaz ou de barbeiro.

— De barbeiro? A senhora nunca foi a casa de barbeiro.

— Mas imagino que os fregueses, enquanto esperam, falam de moças e namoros, e naturalmente o dono da casa alegra a vista deles com figuras bonitas. Em casa de família é que não acho próprio. É o que eu penso, mas eu penso muita cousa assim esquisita. Seja o que for, não gosto dos quadros. Eu tenho uma Nossa Senhora da Conceição, minha madrinha, muito bonita; mas é de escultura, não se pode pôr na parede, nem eu quero. Está no meu oratório.

A idéia do oratório trouxe-me a da missa, lembrou-me que podia ser tarde e quis dizê-lo. Penso que cheguei a abrir a boca, mas logo a fechei para ouvir o que ela contava, com doçura, com graça, com tal moleza que trazia preguiça à minha alma e fazia esquecer a missa e a igreja. Falava das suas devoções de menina e moça. Em seguida referia umas anedotas de baile, uns casos de passeio, reminiscências de Paquetá, tudo de mistura, quase sem interrupção. Quando cansou do passado, falou do presente, dos negócios da casa, das canseiras de família, que lhe diziam ser muitas, antes de casar, mas não eram nada. Não me contou, mas eu sabia que casara aos vinte e sete anos.

Já agora não trocava de lugar, como a princípio, e quase não saíra da mesma atitude. Não tinha os grandes olhos compridos, e entrou a olhar à toa para as paredes.

— Precisamos mudar o papel da sala, disse daí a pouco, como se falasse consigo.

Concordei, para dizer alguma cousa, para sair da espécie de sono magnético, ou o que quer que era que me tolhia a língua e os sentidos. Queria e não queria acabar a conversação; fazia esforço para arredar os olhos dela, e arredava-os por um sentimento de respeito; mas a idéia de parecer que era aborrecimento, quando não era, levava-me os olhos outra vez para Conceição. A conversa ia morrendo. Na rua, o silêncio era completo.

Chegamos a ficar por algum tempo, — não posso dizer quanto, — inteiramente calados. O rumor único e escasso, era um roer de camundongo no gabinete, que me acordou daquela espécie de sonolência; quis falar dele, mas não achei modo. Conceição parecia estar devaneando. Subitamente, ouvi uma pancada na janela, do lado de fora, e uma voz que bradava: "Missa do galo! missa do galo!"

— Aí está o companheiro, disse ela levantando-se. Tem graça; você é que ficou de ir acordá-lo, ele é que vem acordar você. Vá, que hão de ser horas; adeus.

— Já serão horas? perguntei.

— Naturalmente

— Missa do galo! — repetiram de fora, batendo.

— Vá, vá, não se faça esperar. A culpa foi minha. Adeus até amanhã.

E com o mesmo balanço do corpo, Conceição enfiou pelo corredor dentro, pisando mansinho. Saí à rua e achei o vizinho que esperava. Guiamos dali para a igreja. Durante a missa, a figura de Conceição interpôs-se mais de uma vez, entre mim e o padre; fique isto à conta dos meus dezessete anos. Na manhã seguinte, ao almoço falei da missa do galo e da gente que estava na igreja sem excitar a curiosidade de Conceição. Durante o dia, achei-a como sempre, natural, benigna, sem nada que fizesse lembrar a conversação da véspera. Pelo Ano-Bom fui para Mangaratiba. Quando tornei ao Rio de Janeiro em março, o escrivão tinha morrido de apoplexia. Conceição morava no Engenho Novo, mas nem a visitei nem a encontrei. Ouvi mais tarde que casara com o escrevente juramentado do marido.


Domínio Público

16 de jun. de 2012

Resenha - Prata do Tempo - Letícia Wierzchowski



Publicado originalmente em 1999, este romance tem como personagem principal uma casa construída à beira-mar e à beira do delírio. Uma casa que, na sua falta de lógica, lembra um labirinto. Ao circular por todos esses corredores, ao se perder nos muitos aposentos, o leitor visitará quase um século da hsitória da família Serrat.


“Muitas histórias de amor, tendo como cenário uma casa.
A história dessa casa: antes e durante sua construção, e seus muitos anos de depois….
Uma casa de amores, de dores, de lágrimas, de beijos e ausências.
Uma casa-labirinto.
É sobre essa casa que Leticia Wierzchowski {autora, ente outros, de A Casa das Sete Mulheres} escreve em Prata do Tempo. Os personagens fortes, característica marcante de sua literatura, estão presentes, e muito bem representados pelo avô, por Leontina, Augusto Serrat, Alice, a francesinha Eleanor, Inácio, Theo, Ariana bela, O Sonhador, e tantos outros, contados pela narradora-personagem Laila.
Há amor em cada página. O amor entre corações, entre almas, entre vidas. O amor aceito e o negado. O amor da vida e o da morte.
Prata do Tempo é, como a casa que é seu cenário, um labirinto, onde vale a pena se perder para encontrar a boa escrita de Leticia Wierzchowski.” (Visão Arte)

Eu sou suspeitíssima pra falar de romances, porque simplesmente amo!
E com esse não foi diferente: adorei desde a primeira página até a última! Emocionei-me ao ponto de chorar, mais de uma vez, dentro do ônibus à caminho do trabalho, na volta pra casa, no quarto e na sala!

Ele tem, como pano fundo, amores intensos que resvalam por toda a eternidade, e é todo sublinhado pela magia que só o fantástico tem. E nesse ponto me lembrou, e muito, as letras de outra escritora que amo,  a Isabel Allende, que encanta a todos com um realismo fantástico cheio de poesia.
E em seu livro Letícia soube trabalhar, com maestria, o realismo fantástico e a prosa poética, que transforma os amores do livro numa realidade quase que palpável! ;oD

Recomendo a leitura, pra quem deseja adoçar a alma com amores e sorrisos, mesmo que algumas muitas lágrimas nos saltem aos olhos! 



PRATA DO TEMPO
Autor: Leticia Wierzchowski
ISBN: 8501080055
Gênero: Romance brasileiro
Páginas: 280
Formato: 14X21

15 de jun. de 2012

Queria construir uma ruína


Um monge descabelado me disse no caminho: “Eu queria construir uma ruína.
Embora eu saiba que ruínas é uma desconstrução.
Minha idéia era de fazer alguma coisa ao jeito de tapera. Alguma coisa que servisse para
abrigar o abandono

, como as taperas abrigam. Porque o abandono pode não ser apenas de um homem debaixo da ponte, mas pode ser também de um gato no beco ou de uma
criança presa num cubículo
O abandono pode ser também de uma expressão que tenha entrado para o arcaico ou mesmo de uma palavra. Uma palavra que esteja sem ninguém dentro. (O olho do monge estava perto de ser um canto.) Continuou: digamos a palavra AMOR.
A palavra amor está quase vazia. Não tem gente dentro dela.
Queria construir uma ruína para salvar a palavra amor. Talvez ela renascesse das ruínas; como um lírio pode nascer de um monturo.” E o monge se calou descabelado.
(Manoel de Barros)



Pra mim, a vida é totalmente inconcebível sem poesia!
Olhar pra a vida e não enxergar ou sentir em cada filigrana de suas dobras as poesias é para cegos de alma, o que eu jamais pretendo me tornar. E por isso sou fã inconteste e amo escrever poesia.
Entre os meus poetas preferidos, figura Manoel de Barros, um pantaneiro que ama e desfruta do seu pantanal como jamais ninguém vislumbrou. É um dos principais poetas contemporâneos do Brasil, e se você ainda não conhece nada de sua obra, super indico!

6 de jun. de 2012

Clarice, - Benjamin Moser

Clique aqui para ler um trecho do livro


Desde a adolescência tenho uma predileção por Clarice Lispector que nunca soube bem explicar. Lia seus livros com uma gana, mas ao mesmo tempo saboreava bem devagar, pra não acabar. Não posso dizer que entendo bem a escrita de Clarice, mas afirmo com categórica certeza de que a sinto muito forte!

Em meados de dezembro de 2011 eu comprei meu exemplar da Biografia desse ícone da literatura, e de lá pra  cá tenho me deliciado com cada página que o autor, Benjamin Moser, escreveu com primor. Ele passou 5 anos viajando o mundo e pesquisando sobre Clarice. Foi à Ucrânia, onde Clarice nasceu,  Moldávia, entrevistou sua cunhada em Paris e veio ao Brasil para conversar com várias pessoas que conheciam Clarice.
O livro de Benjamin Moser foi incluído entre os 100 livros Notáveis de 2009, na Lista do The New York Times Review. O título original é “Why this World: A Biography of Clarice Lispector”.

E olha só que maravilha, pra quem está ruim de grana e quer muito um exemplar dessa biografia, a Cosac Naify lança a versão pocket do livro, com encadernação brochura e preço de R$29,90. Mantendo o texto na íntegra e os mesmos atributos editoriais. É o primeiro livro pocket da editora. E está à venda na Livraria da Travessa





Dados Técnicos:

CLARICE,
Formato: Livro
Autor: MOSER, BENJAMIN
Tradutor: COUTO, JOSE GERALDO
Baseado vida/obra: LISPECTOR, CLARICE|
Editora: COSAC NAIFY
Assunto: BIOGRAFIAS/AUTOBIOGRAFIAS/DIÁRIOS/MEMÓRIAS/CARTAS

ISBN: 8575038443
ISBN-13: 9788575038444
Idioma: Livro em português
Encadernação: Encadernado
Dimensão: 22 x 15,5 cm
Edição: 1ª
Ano de Lançamento: 2009
Número de páginas: 648


18 de mai. de 2012

Resenha: Mulher Perdigueira - Fabrício Carpinejar




Em páginas delicadas de dor, de amor, de silêncio e prazer, Carpinejar faz o que parece impossível: se define.
Depois de receber o Prêmio Jabuti 2009, categoria Contos e Crônicas, e surpreender os leitores com o livro vanguardista de Tweets, Fabricio Carpinejar apresenta sua nova coletânea de crônicas: Mulher Perdigueira .


Na obra, o autor cria sentido para o que não se vê. Aquilo que não tem cor, mas colore, que não tem peso, mas bate, que não tem forma, mas gosto. Aquilo que é o que faz as pessoas diferentes, que rasga histórias, que aproxima beijos, que enlaça almas, que constrói e destrói inversamente. Fabrício fala daquilo que importa.

Em Mulher Perdigueira, ele está mais maduro e sua racionalidade serve para reforçar o escape de quando ele ultrapassa a forma coerente e surge de novo puro sangue para fluir, dualizando a configuração das coisas, arrepiando nas entrelinhas, tirando o fôlego no espaço entre as palavras e morrendo de amor a cada ponto final.

[americanas.com.br]


Uma delícia de leitura! Se diziam que o Chico Buarque era o autor de Alma feminina, nesse patamar ele agora tem companhia!
Dono de uma prosa poética ímpar, Carpinejar me encanta com suas tiradas sensuais e eróticas, mas sem perder a ternura! ;oD


26 de abr. de 2012

Felicidades em muitas pequenas doses




Sinopse:
O presente livro apresenta uma coletânea de mais de 80 crônicas. A autora visa a materializar as angústias e os anseios da sociedade, abordando temas diversos e cotidianos, incluindo questões consideradas universais, como o amor, a família, a amizade, a mulher, entre outros temas.




Crônicas que nos mostram, com a simplicidade e grandeza da escrita da Martha o quanto é rico o universo das "pequenas felicidades". Como é possível ser feliz em cada pequeno momento de nossa vida.

Leia um pouco dele aqui.