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23 de ago. de 2013

Resenha: Por este mundo acima - Patrícia Reis





A escrita da  portuguesa Patrícia Reis não me é estranha e já há muito me agrada. Minha primeira leitura dessa escritora, editora e jornalista portuguesa, foi do Morder-te o Coração, que foi editado aqui no Brasil pela editora Língua Geral, em sua coleção Ponta de Lança, que, como a Coleção Novíssimos da Leya, tem como objetivo apresentar a "safra" de autores portugueses contemporâneos. E sabedora da minha vontade de completar a belíssima coleção da Leya, a minha amiga querida, Tatianne Dantas, do blog e vlog No país das entrelinhas, me presenteou com o lindo Por Este Mundo Acima, que li há algum tempo, é fato, mas só agora acho que consigo realmente escrever sobre ele as minhas impressões acerca da leitura.

3 de mai. de 2013

Resenha: No meu peito não cabem pássaros - Nuno Camarneiro



“Jorge tem medo de encher a cabeça. Uma frase ouvida muitas vezes ao aos adultos inquietou-o, “a cabeça não chega para tudo”. Jorge espantou-se com medo de não ter mais onde pôr coisas de que gostava, nunca pensara na cabeça como um bolso e agora concluiu que as memórias são grandes e não ocupam muito espaço. A cada dia, a cada hora, há gente a entrar pelos olhos e pelos ouvidos, por todo lado há gente a encher cabeças com palavras e gestos. As pessoas não têm respeito pelas cabeças e por isso enchem-nas sem critério de coisas importantes e porcarias. O pior é que as cabeças não sabem distinguir o que interessa nem esquecer o que não querem. Para lá fica tudo amontado, tão cheio e sem arrumo que nada se encontra que sirva. (…) Assim, Jorge desenvolveu um sistema para ter as memórias fora da

22 de abr. de 2013

Resenha, ou quase: Gonzos e parafusos - Paula Parisot





Já não sei dizer se são os livros com certas temáticas mais densas que estão no meu encalço, ou se sou eu que, até mesmo inconsciente, precise procurar por eles.

Desta feita o tema da loucura ou de algum tipo de insanidade caiu novamente em minhas mãos pelo exemplar do 2º livro publicado pela Paula Parisot, Gonzos e parafusos, que teve inclusive, um lançamento mega badalado, porque a autora se enclausurou num quarto de acrílico dentro da livraria por 7 dias e noites, para viver a experiência de sua protagonista.

O mote de Gonzos e parafusos nos faz mergulhar num mundo introspectivo e margeado pela loucura. A narrativa é em primeira pessoa e não é nada sequencial, ao contrário, são feitas através de digressões da autora, como um diário aleatório de uma psicanalista, que além de pouco ética, pois dá apelido aos seus pacientes de acordo com seus respectivos problemas, ela é também uma suicida fracassada, uma automutiladora.

Isabela, a protagonista, desde cedo se viu mergulhada em desesperos, angústias, solidões e depressões, e, como autoterapia, procurou abrigo nas artes e na literatura, o que tenta justificar as muitas referências intelectuais e artísticas da obra.

O livro chega quase ao pedantismo em alguns pontos, com suas muitas citações e descrições de obras de arte, haja visto que uma das obras de Klimt é a verdadeira obsessão de Isabela, mas não deixa de ser um soco no estômago e de nos levar a refletir, a mergulhar com Isabela nesse mundo de introspecção. A escrita da Paula é fácil e flui, mas eu não consegui me conectar ao livro, acho que estou numa fase de muito bom humor, de extroversão maravilhosa e que se recusou a nublar pra esse mergulho noturno.


♥♥♥


Título: Gonzos e parafusos
Autora: Paula Parisot
Editora Leya Brasil
Número de páginas: 170
Ano: 2010




14 de abr. de 2013

Resenha: O Ano da Leitura Mágica - Nina Sankovitch



"As pessoas compartilham os livros que amam. Elas querem espalhar para os amigos e familiares a sensação boa que sentiram ao ler o livro ou as idéias que encontraram nas páginas deles. Ao compartilhar um livro amado, um leitor está tentando compartilhar o mesmo entusiasmo, prazer, medo e ansiedade que experimentou ao ler. E porque mais o fariam? Compartilhar o amor pelos livros ou por um livro específico é uma boa coisa. Mas é também uma manobra arriscada para ambos os lados. Quem dá o livro não está exatamente expondo a alma para uma rápida olhada, mas quando o entrega com o comentário de que é um de seus preferidos, está muito próximo de expô-la. Somos aquilo que gostamos de ler e quando admitimos que adoramos um livro, admitimos que este livro representa verdadeiramente algum aspecto do nosso ser, seja o fato de sermos loucos por romance, ou por aventura, ou secretamente fascinados por crimes."

Desde criança sempre fui muito curiosa e ávida por saber. Não tinha pretensões de saber tudo, mas queria sim, como ainda quero, saber um pouco sobre tudo, ou quase tudo. Lembro-me que com 4 anos eu já arriscava algumas palavras, aos 5, alfabetizada, deixava minha mãe louca quando saia com ela à rua, pois queria ler tudo, parava à todo instante pra ler as placas de trânsito, propagandas pregadas nos muros, enfim, o que fosse combinações de letras eu queria ler!

Com o passar dos anos fui aprendendo que poderia fazer viagens muito mais interessantes do que as mudanças a que meu pai nos obrigava a fazer todo ano, devido ao seu trabalho. Nessas novas viagens eu tinha a certeza de que os amigos que faria ficariam comigo e que eu os poderia revisitar sempre que tivesse vontade. Tudo bem que alguns deixei no passado, outros nem mais me recordo e alguns, ah, como me fazem falta...

A leitura sempre foi, pra mim, algo muito mais que prazer, muito mais que lazer e diversão, ultrapassou o sentido de arte, abarcou a terapia e além de tábua de salvação, também foi minha madrinha, me levando a querer arriscar a me deixar traduzir em palavras.

Em O Ano da Leitura Mágica, Nina Sanckovitch faz um relato autobiográfico de como conseguiu superar a morte de sua irmã mais velha Anne Marie, que aos 46 anos descobre um câncer já em fase terminal. A princípio ela tenta superar a dor e a falta da irmã sendo o porto seguro de quem está a sua volta: seus pais, marido, irmã caçula, os 4 filhos e amigos. Mas depois de 3 anos se dá conta de que não consegue além de estar emocionalmente esgotada.

Então, depois de admitir pra si mesma que não conseguia viver plenamente a sua vida e nem a parte que caberia à Anne Marie, Nina resolve se voltar para uma paixão em comum com a irmã e o restante da família: os livros!

“Livros. Quanto mais eu pensava em parar e voltar a ser uma só pessoa sã, mais eu pensava nos livros. Eu pensava em fugas. Não correr para fugir, e sim ler para fugir.”

Ela resolve usar os livros como terapia, e para tanto resolve que lerá um livro por dia durante o período de um ano. Um projeto audacioso, ao menos pra  eu imaginar, já que ela é mãe de 4 filhos, mas ela consegue. Faz todo um planejamento, se propõe a não ler o mesmo autor duas vezes, seu número de páginas lidas em 1 hora não pode ser menor que 70 e procura não ler calhamaços, ou seja, nenhum livro com mais de 250 a 300 páginas! E como se não bastasse, o compromisso consigo mesma vai um pouco mais além, fazer também uma resenha por dia, que ela publicaria religiosamente em seu blog, que mantém até hoje, veja aqui!

Entre as suas leituras muitas  que não são nem de longe nossas conhecidas, no entanto há muitos autores e livros já editados no Brasil, como os lindos Mia Couto e José Eduardo Agualusa, kasuo Ishiguro, Stephenie Meyer, Tolstoi, Roberlo Bolaño, Camus, Saramago e muitos outros, muitos mesmo! O livro é recheado de citações e paralelos que a autora traça entre os livros e a sua própria vida.

É bem gostosa a leitura até metade do livro, depois fica um pouco cansativa, com seu teor mudando um pouco de foco, partindo mais pro cunho de auto-ajuda, e confesso que o fato dela ficar repetindo sempre o jargão de "ler um livro por dia durante um ano" me cansou um bocado! Mas a leitura é fácil e a gente se emociona com o claro amor que ela tem aos livros, a sua paixão em compartilhar com amigos e família, enfim, é um livro pra se ler, e pra ter onde buscar algumas inspirações, já que Nina nos deixa de presente, no final do livro, a sua lista de livros lidos no período de um ano! ;oD

♥♥♥

"Eu assumi o compromisso de passar um ano lendo por um motivo. Porque as palavras são testemunhas da vida: elas registram o que aconteceu e tornam tudo verdade. Palavras criam histórias que se transformam em histórias inesquecíveis. Histórias sobre as vidas relembradas nos levam para o passado ao mesmo tempo em que nos permitem seguirmos em frente."




O Ano da Leitura Mágica 
Título Original: Tolstoy and the Purple Chair
Autora: Nina Sankovitch
Tradução de Paulo Polzonoff
Editora leya
230 páginas


28 de jun. de 2012

Quinto livro de ‘Game of thrones’ lançado no Brasil com um capítulo faltando

Capa do livro, desenhada pelo artista Marc Simonetti Reprodução
Quem saiu de casa às pressas pra garantir seu exemplar de ‘A dança dos dragões’ teve uma surpresa desagradabilíssima: a edição foi impressa sem não traz o capítulo 26, ‘Soprado pelo vento".
A editora Leya, garantiu, em nota oficial, a troca dos exemplares de quem já adiquiriu a partir de 1º de agosto.



Leia o comunicado oficial da editora:

“A editora LeYa vem informar que por uma falha no processo de edição do quinto volume da saga As Crônicas de Gelo e Fogo – A Dança dos dragões, livro recém-chegado ao mercado nacional, todos os exemplares impressos não trazem o capítulo 26 - "O soprado pelo vento". Consciente de que é a única responsável por este lamentável erro, a LeYa decidiu interromper a distribuição da obra e procederá, a partir de hoje, o recolhimento dos exemplares que estão em poder das livrarias de todo o território nacional. Aos leitores que já adquiriam a obra, a LeYa garante a troca pelo exemplar correto e, independentemente disso, disponibilizará em seu site, a partir de hoje, a versão digital do capítulo faltante.

Já iniciamos a produção de uma nova edição. A partir do dia 1º de agosto daremos início ao trabalho de redistribuição do livro e, consequentemente, das trocas dos exemplares em poder dos leitores.

Aos nossos parceiros e leitores pedimos as mais sinceras desculpas por todo o transtorno causado.

Cordialmente,

Pascoal Soto

Diretor Geral - LeYa Edições Gerais”


Fonte: O Globo