Quem me acompanha há mais tempo por aqui e ou pelo canal no Youtube, já sabe do amor que nutro pela escrita da linda Inês Pedrosa, autora portuguesa que descobri em 2003 quando me deparei com maravilhoso "Fazes-me falta", seu romance de estreia no Brasil. E desde que soube do lançamento de seu último título em Portugal, fiquei em cólicas, torcendo pra que ele chegasse logo por aqui, o que só aconteceu em setembro de 2013. Comprei logo o meu, mas acabei protelando a leitura, no melhor estilo "felicidade clandestina", aguardando mais um pouco pelas surpresas e emoções que certamente sentiria ao ler mais esse romance dela.
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15 de abr. de 2014
28 de jan. de 2014
Livro - José Luis Peixoto
Livro, do português e também inédito pra mim, José Luis Peixoto, me ronda desde o final de 2012 quando o vi pela primeira vez na livraria e fiquei encantada com sua capa, que me lembrou de imediato uma renda de bilro, depois um lindo azulejo português e depois que o li... me encantou ainda mais a capa, e todo o seu intricado azul. Também me recordo de ter visto o vídeo da Luara, no até então Isaac sabe, e agora Ao rés do chão, com ela falando sobre ele, mas confesso que pouco me ative à história, pois já o desejava.
12 de jan. de 2014
O Pintor Debaixo do Lava-Loiças - Afonso Cruz
Desde o início de 2013 que estou a insuflar-me com o que tenho lido e ouvido falar sobre o escritor , ilustrador e músico português Afonso Cruz. Meu primeiro contato com seu nome foi através do canal da também portuguesa Inês, o Inês Books, e meu desejo foi crescendo ainda mais à medida que a ouvia falar de seus livros e por conseguinte ter descoberto na Déa Paulino, do blog Biofagia, outra apaixonada por suas letras. Para meu desconsolo, no Brasil, por hora, só há um livro do autor editado, que é o juvenil "Os livros que devoraram meu pai", que ainda não sei porque cargas d'água não o adquiri!
23 de ago. de 2013
Resenha: Por este mundo acima - Patrícia Reis
A escrita da portuguesa Patrícia Reis não me é estranha e já há muito me agrada. Minha primeira leitura dessa escritora, editora e jornalista portuguesa, foi do Morder-te o Coração, que foi editado aqui no Brasil pela editora Língua Geral, em sua coleção Ponta de Lança, que, como a Coleção Novíssimos da Leya, tem como objetivo apresentar a "safra" de autores portugueses contemporâneos. E sabedora da minha vontade de completar a belíssima coleção da Leya, a minha amiga querida, Tatianne Dantas, do blog e vlog No país das entrelinhas, me presenteou com o lindo Por Este Mundo Acima, que li há algum tempo, é fato, mas só agora acho que consigo realmente escrever sobre ele as minhas impressões acerca da leitura.
3 de mai. de 2013
Resenha: No meu peito não cabem pássaros - Nuno Camarneiro
“Jorge tem medo de encher a cabeça. Uma frase ouvida muitas vezes ao aos adultos inquietou-o, “a cabeça não chega para tudo”. Jorge espantou-se com medo de não ter mais onde pôr coisas de que gostava, nunca pensara na cabeça como um bolso e agora concluiu que as memórias são grandes e não ocupam muito espaço. A cada dia, a cada hora, há gente a entrar pelos olhos e pelos ouvidos, por todo lado há gente a encher cabeças com palavras e gestos. As pessoas não têm respeito pelas cabeças e por isso enchem-nas sem critério de coisas importantes e porcarias. O pior é que as cabeças não sabem distinguir o que interessa nem esquecer o que não querem. Para lá fica tudo amontado, tão cheio e sem arrumo que nada se encontra que sirva. (…) Assim, Jorge desenvolveu um sistema para ter as memórias fora da
3 de jan. de 2013
Resenha: Os Íntimos - Inês Pedrosa
Cinco homens à mesa de um restaurante. Comida, futebol, conversas. Às vezes sobre mulheres, nunca as próprias. Afonso, Pedro, Augusto, Guilherme e Filipe. O mesmo grupo, o mesmo restaurante, a mesma sensação de intimidade capaz de suspender a solidão por algumas horas. Este é o núcleo central do último livro de Inês Pedrosa, “Os íntimos”. É a partir dele que se irá desenvolver a narrativa. Ambientada em Lisboa, ficcionalizando os modos de vida dos portugueses na atualidade, tem nesta pulsação da vida contemporânea uma característica interessante podendo, inclusive, contribuir para se desfazer a visão estereotipada que ainda se tem sobre os portugueses.
Acredito já ser do conhecimento de quem me acompanha por aqui e ou pelo canal do youtube que sou uma grande fã e apreciadora das obras da escritora portuguesa Inês Pedrosa. Então foi com muita ansiedade que esperei a hora mais acertada pra me entregar à leitura de seu mais recente lançamento por cá: Os Íntimos.
Depois de ler o estupendo Fazes-me falta e o belíssimo Nas tuas mãos, não conseguia segurar a expectativa para o seu próximo romance. Então, por medo, ou até mesmo por uma espécie de felicidade clandestina, adiei a leitura ao máximo, e só me rendi a ele em dezembro, e a resenha só me atrevi a fazer agora porque ainda queria esse travo agridoce na boca só pra mim, ao menos por um pouco mais de tempo.
Em Os Íntimos, Inês Pedrosa nos apresenta um romance que é quase todo em monólogos; onde, num ato de extrema coragem, fala pelos homens e como se ainda fosse pouco, do que pensam e falam das mulheres!
Cinco amigos que se encontram para conversar, dar risadas, falar de política, futebol, de seus tiques, manias e das dores que os cercam, tudo dentro da mais perfeita contemporaneidade, tudo muito próximo do que nos condiz chamarmos de vida real.
Mesmo todo o romance tendo apenas uma personagem feminina, que é a Célia, filha do dono do bar/restaurante, e que os serve uma vez por mês e sorri de seus gracejos para com ela, Inês nos brinda com histórias que estão totalmente atreladas ao feminino, como a de Afonso, médico oncologista que perdeu mulher e filha e está sempre refletindo sobre esses fatos e as duas.
É de Afonso a principal voz narrativa, que representa uma das faces do homem moderno e, ao meu ver, o mais complexo e intenso dos 5 amigos da trama. É ele quem apresenta seus amigos, e é por meio de seus pensamentos que a autora dá uma alfinetada com classe, ironia e bom humor, mandando um recado às mulheres diante dos avanços femininos em diversas áreas:
A emancipação das mulheres parece ter-lhes aguçado um espírito
científico perturbadoramente materialista. (...) Acabaram-se os bons
sentimentos das mulheres: a timidez, o pudor, a culpa, a entrega
desinteressada, enfim, a compaixão. É melhor nem pensar nisso.
(p.29).
Augusto, administrador de uma empresa discográfica, é o que mais se assemelha em gostos e costumes à Afonso. Ambos têm fama de conquistador, relacionaram-se com a mesma mulher, em diferentes momentos, e adoram gabar-se de suas conquistas, cada um a seu modo, claro.
Pedro, o técnico de informática, sem namorada, amante ou esposa, prefere manter-se fechado e distante do mundo, mas sempre ligado à mãe e, em contrapartida, demonstra profundo conhecimento da alma feminina:
“O que eu sei das mulheres,
meus amigos, é isto: elas são muita gente ao mesmo tempo. Como se trouxessem
todas as variedades da vida dentro de seus corpos. Elas são feiticeiras e anjos e
putas. E homens também.” (p. 37)
Já Guilherme é o personagem que decidiu não ser nada. Criado por um pai militar que o envia para um colégio militar pois este queria ver o filho um general ou médico. Após sair da instituição e livrar-se dos rígidos costumes, se emprega na área da farmacêutica onde conheceu sua grande paixão: Clarisse.
Por fim, conhecemos Felipe, um aspirante a artista que, no alto do seu egocentrismo, se julga injustiçado com relação ao talento, bem como ao da sua esposa, e se dirige com superioridade a todos.
Segundo apresentação de Afonso,
“Filipe é um interesseiro incapaz de identificar seus
próprios interesses. Um falhado que persiste na falha. Um miúdo imune à
introspecção. (...) O louco da aldeia que confirma a sanidade mental dos outros.”
(p. 160).
Diante de tantas diferenças entre si, cada um se mantém fiel aos seus encontros mensais, numa convivência marcadamente íntima que, a despeito de tudo o mais, nos fala mais alto e forte sobre o desejo e a necessidade de não estarmos sós.
Os Íntimos, ao lado de Fazes-me Falta e Nas tuas mãos, é, sem sombras de dúvida, a tríade imbatível da escrita maravilhosa dessa força que Inês Pedrosa.
E volto a afirmar: se ainda não conhece a escrita dessa mulher, não perca mais tempo! ;oD
Os Íntimos
Inês Pedrosa
Editora: Alfaguara
200 páginas
Resenhas ótimas:
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