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14 de abr. de 2014

O Mel de Ocara - Ler, viajar, comer - Ignácio de Loyola Brandão






Meu primeiro contato com as letras do Brandão foi em 2003, quando caiu em minhas mãos o primeiro romance dele que li: "O beijo não vem da boca". Lembro que esse título me deixou elétrica e o li com uma voracidade deliciosa. Ignácio de Loyola Brandão nasceu em Araraquara, São Paulo há quase 78 anos e é um dos mais bem sucedidos escritores brasileiros com 40 livros lançados e muitos quilômetros rodados por esse Brasil e mundo a fora! 

20 de ago. de 2013

Resenha: É isto um homem? - Primo Levi





Cedo ou tarde, na vida, cada um de nós se dá conta de que a felicidade completa é irrealizável; poucos, porém, atentam para a reflexão oposta: que também é irrealizável a infelicidade completa. Os motivos que se opõem à realização de ambos os estados-limite são da mesma natureza; eles vêm de nossa condição humana, que é contra qualquer "infinito". Assim, opõe-se a esta realização o insuficiente conhecimento do futuro, chamado de esperança no primeiro caso e de dúvida quanto ao amanhã, no segundo. Assim, opõe-se a ela a certeza da morte, que fixa um limite a cada alegria, mas também a cada tristeza. Assim, opõem-se as inevitáveis lides materiais que, da mesma forma como desgastam com o tempo toda a felicidade, desviam a cada instante a nossa atenção da desgraça que pesa sobre nós tornando a sua percepção fragmentária, e, portanto, suportável."

14 de abr. de 2013

Resenha: O Ano da Leitura Mágica - Nina Sankovitch



"As pessoas compartilham os livros que amam. Elas querem espalhar para os amigos e familiares a sensação boa que sentiram ao ler o livro ou as idéias que encontraram nas páginas deles. Ao compartilhar um livro amado, um leitor está tentando compartilhar o mesmo entusiasmo, prazer, medo e ansiedade que experimentou ao ler. E porque mais o fariam? Compartilhar o amor pelos livros ou por um livro específico é uma boa coisa. Mas é também uma manobra arriscada para ambos os lados. Quem dá o livro não está exatamente expondo a alma para uma rápida olhada, mas quando o entrega com o comentário de que é um de seus preferidos, está muito próximo de expô-la. Somos aquilo que gostamos de ler e quando admitimos que adoramos um livro, admitimos que este livro representa verdadeiramente algum aspecto do nosso ser, seja o fato de sermos loucos por romance, ou por aventura, ou secretamente fascinados por crimes."

Desde criança sempre fui muito curiosa e ávida por saber. Não tinha pretensões de saber tudo, mas queria sim, como ainda quero, saber um pouco sobre tudo, ou quase tudo. Lembro-me que com 4 anos eu já arriscava algumas palavras, aos 5, alfabetizada, deixava minha mãe louca quando saia com ela à rua, pois queria ler tudo, parava à todo instante pra ler as placas de trânsito, propagandas pregadas nos muros, enfim, o que fosse combinações de letras eu queria ler!

Com o passar dos anos fui aprendendo que poderia fazer viagens muito mais interessantes do que as mudanças a que meu pai nos obrigava a fazer todo ano, devido ao seu trabalho. Nessas novas viagens eu tinha a certeza de que os amigos que faria ficariam comigo e que eu os poderia revisitar sempre que tivesse vontade. Tudo bem que alguns deixei no passado, outros nem mais me recordo e alguns, ah, como me fazem falta...

A leitura sempre foi, pra mim, algo muito mais que prazer, muito mais que lazer e diversão, ultrapassou o sentido de arte, abarcou a terapia e além de tábua de salvação, também foi minha madrinha, me levando a querer arriscar a me deixar traduzir em palavras.

Em O Ano da Leitura Mágica, Nina Sanckovitch faz um relato autobiográfico de como conseguiu superar a morte de sua irmã mais velha Anne Marie, que aos 46 anos descobre um câncer já em fase terminal. A princípio ela tenta superar a dor e a falta da irmã sendo o porto seguro de quem está a sua volta: seus pais, marido, irmã caçula, os 4 filhos e amigos. Mas depois de 3 anos se dá conta de que não consegue além de estar emocionalmente esgotada.

Então, depois de admitir pra si mesma que não conseguia viver plenamente a sua vida e nem a parte que caberia à Anne Marie, Nina resolve se voltar para uma paixão em comum com a irmã e o restante da família: os livros!

“Livros. Quanto mais eu pensava em parar e voltar a ser uma só pessoa sã, mais eu pensava nos livros. Eu pensava em fugas. Não correr para fugir, e sim ler para fugir.”

Ela resolve usar os livros como terapia, e para tanto resolve que lerá um livro por dia durante o período de um ano. Um projeto audacioso, ao menos pra  eu imaginar, já que ela é mãe de 4 filhos, mas ela consegue. Faz todo um planejamento, se propõe a não ler o mesmo autor duas vezes, seu número de páginas lidas em 1 hora não pode ser menor que 70 e procura não ler calhamaços, ou seja, nenhum livro com mais de 250 a 300 páginas! E como se não bastasse, o compromisso consigo mesma vai um pouco mais além, fazer também uma resenha por dia, que ela publicaria religiosamente em seu blog, que mantém até hoje, veja aqui!

Entre as suas leituras muitas  que não são nem de longe nossas conhecidas, no entanto há muitos autores e livros já editados no Brasil, como os lindos Mia Couto e José Eduardo Agualusa, kasuo Ishiguro, Stephenie Meyer, Tolstoi, Roberlo Bolaño, Camus, Saramago e muitos outros, muitos mesmo! O livro é recheado de citações e paralelos que a autora traça entre os livros e a sua própria vida.

É bem gostosa a leitura até metade do livro, depois fica um pouco cansativa, com seu teor mudando um pouco de foco, partindo mais pro cunho de auto-ajuda, e confesso que o fato dela ficar repetindo sempre o jargão de "ler um livro por dia durante um ano" me cansou um bocado! Mas a leitura é fácil e a gente se emociona com o claro amor que ela tem aos livros, a sua paixão em compartilhar com amigos e família, enfim, é um livro pra se ler, e pra ter onde buscar algumas inspirações, já que Nina nos deixa de presente, no final do livro, a sua lista de livros lidos no período de um ano! ;oD

♥♥♥

"Eu assumi o compromisso de passar um ano lendo por um motivo. Porque as palavras são testemunhas da vida: elas registram o que aconteceu e tornam tudo verdade. Palavras criam histórias que se transformam em histórias inesquecíveis. Histórias sobre as vidas relembradas nos levam para o passado ao mesmo tempo em que nos permitem seguirmos em frente."




O Ano da Leitura Mágica 
Título Original: Tolstoy and the Purple Chair
Autora: Nina Sankovitch
Tradução de Paulo Polzonoff
Editora leya
230 páginas


11 de jun. de 2012

Resenha: Para Sempre - Kim e Krickitt Carpenter



A vida que Kim e Krickitt Carpenter conheciam mudou completamente no dia 24 de novembro de 1993, dois meses após o seu casamento, quando a traseira do seu carro foi atingida por uma caminhonete que transitava em alta velocidade. Um ferimento sério na cabeça deixou Krickitt em coma por várias semanas. Quando finalmente despertou, parte da sua memória estava comprometida e ela não conseguia se lembrar de seu marido. Ela não fazia a menor ideia de quem ele era. Essencialmente, a "Krickitt" com quem Kim havia se casado morreu no acidente, e naquele momento ele precisava reconquistar a mulher que amava.


A primeira vez que ouvi falar desse livro foi logo depois de ter visto o filme, que por sinal, eu adorei!
E por ter gostado muito do filme e sabê-lo baseado no livro é que não pisquei duas vezes e fui atrás do livro, porque é sabido que filmes nunca, ou quase nunca, superam as histórias originais.
O livro é bem curto e é, na verdade, a narrativa de uma história de amor, fé, esperança e superação!
Mas esse estilo narrativo, meio cru, já que foi o primeiro livro do casal, não me agradou muito. Parecia, na verdade, que estava com alguém ao meu lado me contando os fatos, ou melhor, relatando os fatos ocorridos.
É de Kim Carpenter a voz narradora do livro. Ele nos relata como conheceu sua mulher Krickit, como se desenrolou o romance que os levou ao altar e como, depois de 2 meses de casados um acidente muda radicalmente a vida desses dois apaixonados. Dá pra sentir na pele a fé que ambos, muito religiosos, têm e a força que fazem, cada um a sua maneira, pra que o relacionamento se sustente depois de todo o problema enfrentado. É verdadeiramente uma lição de vida e de amor, não dá pra negar, mas como texto, como um romance escrito, pra mim, não rolou! Me faltou a prosa poética, os volteios de um romance. Com certeza se a história de Kim e Krickit fosse escrita por um escritor mais experiente teria me conquistado como livro.
Em suma, ainda prefiro o roteiro do filme!
Mas é um livro que todo casal deveria ler e procurar manter, como o casal, a fé e o amor no próprio relacionamento, seja em uma situação limite como a deles, ou não.



Autores: Kim Carpenter; Krickitt Carpenter
Titulo: Para Sempre
ISBN: 9788581630083
Selo: NOVO CONCEITO
Ano: 2012
Edição: 1
Número de páginas: 144
Formato/Acabamento: 16x23x1
Peso: 0.227 kg
Preço Sugerido: Saraiva, Americanas, Fnac, Cultura, Travessa
Área Principal: NÃO-FICÇÃO
Assuntos: ROMANCE