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26 de out. de 2012
Resenha: Caixa Preta - Jennifer Egan
Conto feito especialmente para ser publicado pelo Twitter. A engenhosa história de espionagem que se passa no futuro, considerada pelo escritor Ian McEwan “a melhor leitura dos últimos anos”, foi publicada diariamente no twitter da Intrínseca (@intrinseca), das 22h às 23h, de 20 a 30 de agosto. Escrito originalmente à mão em um caderno japonês de oito retângulos por página, Caixa Preta foi lançado exclusivamente em e-book no dia 31 de agosto.
Acredito que a essa altura, Jennifer Egan dispense qualquer apresentação, mas se você ainda não sabe nada sobre ela e nem leu nenhum de seus livros, saiba um pouco mais sobre ela aqui.
Caixa Preta, na verdade, foi publicado a partir de anotações que Jennifer fez em seu caderno japonês, e disponibilizado, primeiramente, no perfil de ficção da revista norte-americana New Yorker no período de 24 de maio a 02 de junho desse ano. E foram necessários 1 ano inteiro para que a autora escrevesse os mais de 600 tuítes! E o que é mais interessante é que, em entrevista, a própria Jennifer alegou “ter uma relação complicada com a tecnologia”, e por puro medo, como afirmou: “Tenho medo da tecnologia de uma forma muito simples, como o medo de não saber usar.”
Pelo visto ela superou muito bem o seu medo, pois o conto é muito bom! Não chega nem perto de A Visita Cruel do Tempo, mas dá conta do recado direitinho!
O conto é uma ficção científica meio triller, onde a protagonista é uma agente secreta à serviço do governo norte-americano, que tem por objetivo passar informações coletadas sobre os esquemas de homens poderosos e violentos. A protagonista, chamada apenas de "gatinha", sujeita seu próprio corpo à implantes de diversos tipos de dispositivos de espionagem, como câmeras, GPS, disco de memória e coisas afins, para conseguir obter as informações das quais precisa sobre os seus alvos.
Narrado em 2ª pessoa, a escrita é rápida e envolvente, com frases curtas, como era de se esperar por conta da mídia utilizada, lembra um manual de instruções ao qual a "Gatinha" vai seguindo e nos conduzindo por seus próximos passos; mas como a autora disse, são "disparos mentais" da protagonista, como se ela fosse repensando alto os próximos passos para desempenhar a contento a sua missão.
Como em toda obra de espionagem em que mulheres são envolvidas, há sempre o apelativo sexual, pois cabe à ela a conquista das informações necessárias ao Governo, independente do que vier a acontecer em decorrência disso. Mesmo sabendo que essa aparente fragilidade que o mundo machista dá à mulher, como sendo presa fácil por ser considerada frágil, e a consequente utilização de sua condição como arma eficaz, me incomoda um pouco. Ainda gostaria muito de ver uma espiã não ser obrigada a se valer da sua sexualidade pra conseguir seu intento! Mas essa é apenas a minha opinião! ;)
" Como gatinha, às vezes espera-se que você passe de mão em mão.
Em geral, você passará das mãos de um homem menos poderoso para as de um mais poderoso.
Maior proximidade com a fonte de dinheiro e controle é um progresso.
Seu trabalho é o mesmo, não importa nas mãos de quem esteja.
Se sua vulnerabilidade e impotência chamaram a atenção de um alvo inimigo, acentue-as.
Pernas sujas e arranhadas podem acentuar sua vulnerabilidade a ponto de causar repulsa.
Mas podem conseguir para você um banho quente. "
Com toda certeza Caixa Preta é uma leitura super recomendada, porque se valendo de uma mídia diferente e super dinâmica, sobressaiu-se mantendo o ritmo, o enredo e a atenção sem ser entediante!
Todas as informações e download: Editora Intrínseca
30 de ago. de 2012
Resenha: A visita cruel do tempo - Jennifer Egan
| A visita Cruel do tempo - Jennifer Egan |
Da São Francisco dos anos 1970 à Nova York de um futuro próximo, Jennifer Egan tece uma narrativa caleidoscópica, que alterna vozes e perspectivas, cenários e personagens para contar como os sonhos se constroem e se desfazem ao longo da vida. Obra vencedora do Pulitzer, do National Book Critics Circle Award e do LA Times Book Prize no ano de 2011, A visita cruel do tempo é composto por histórias curtas - 13 faixas sobre relações familiares, indústria fonográfica, jornalismo de celebridades, efeitos da tecnologia, viagens e a busca por identidadeversus o esfacelamento de ideais -, interligadas pelas memórias de um grupo de personagens em diferentes pontos de suas vidas.
Bennie Salazar é um executivo da indústria fonográfica. Ex-integrante de uma banda de punk, ele foi
o responsável pela descoberta e pelo sucesso dos Conduits, cujo guitarrista, Bosco, fazia com que Iggy Pop parecesse tranquilo no palco. Jules Jones é um repórter de celebridades preso por atacar uma atriz durante uma entrevista e vê na última - e suicida - turnê de Bosco a oportunidade de reerguer a própria carreira. Jules é irmão de Stephanie, casada com Bennie, que teve como mentor Lou, um produtor musical viciado em cocaína e em garotinhas. Sasha é a assistente cleptomaníaca de Bennie, e seu passado desregrado e seu futuro estruturado parecem tão desconexos quanto as tramas dos muitos personagens que compõem esta história sobre música, sobrevivência e a suscetibilidade humana sob as garras do tempo.
Bennie Salazar é um executivo da indústria fonográfica. Ex-integrante de uma banda de punk, ele foi
o responsável pela descoberta e pelo sucesso dos Conduits, cujo guitarrista, Bosco, fazia com que Iggy Pop parecesse tranquilo no palco. Jules Jones é um repórter de celebridades preso por atacar uma atriz durante uma entrevista e vê na última - e suicida - turnê de Bosco a oportunidade de reerguer a própria carreira. Jules é irmão de Stephanie, casada com Bennie, que teve como mentor Lou, um produtor musical viciado em cocaína e em garotinhas. Sasha é a assistente cleptomaníaca de Bennie, e seu passado desregrado e seu futuro estruturado parecem tão desconexos quanto as tramas dos muitos personagens que compõem esta história sobre música, sobrevivência e a suscetibilidade humana sob as garras do tempo.
Mais um dos livros que me chamaram atenção primeiramente pela capa, em seguida, pela frase: "Vencedor do Pulitzer" e por último uma sinopse que li sem querer ler, porque a decisão de levá-lo pra ler nas férias já estava definitivamente tomada.
Falar sobre a passagem do tempo já não é um mote incomum há muito tempo, mas falar da forma como o fez Jennifer Egan é uma coisa completamente diferente. Ela fez um trabalho desavergonhadamente bem feito! Um livro escrito com uma técnica perfeita, onde cada um dos vários personagens têm as vidas amarradas e atreladas uns aos outros de uma forma bem sutil e completamente necessária; fazendo dessa cacofonia de vozes e personagens um dos melhores romances que já li até agora.
Em "A visita...", não há um protagonista, mas sim várias personagens que se cruzam ao passar dos anos e é na vida de cada uma delas que a autora se concentra pra falar de toda uma geração. Cada capítulo tem uma história, voz, contado ao longo dos 50 anos em que se passa o livro e todas essas diferenças que surgem, como se o livro fosse, na verdade, um livro de contos que se complementam. Uns são mais reveladores do que virá acontecer em um futuro próximo do que outros, mas que nos prende à história como se o livro tivesse garras próprias!
A personagem que abre o livro e logo de cara nos é apresentada como cleptomaníaca é a Sasha [minha preferida desde o início!], cujo passado desregrado é contado ao longo dos capítulos e através dela é que Egan nos apresenta a Bennie ,o produtor, do qual Sasha é a assistente, Rhea, amiga de Bennie na adolescência), Lou [seu mentor], Jules [o cunhado], Dolly [a ex-chefe de sua ex-mulher] e é assim que uma rede intricada de personagens vai se formando, e que de pronto nos confunde, mas que logo a sensação de estar perdida passa e a gente se situa na voz daquela que narra o momento.
Para se entender bem com esse deleite, é necessário deixar-se cativar, sem preconceitos e expectativas pré-formadas, pelas personagens. Estar pronto para ouvir sua voz da forma como ela achar melhor se revelar, seja em 1ª, 2ª, 3ª pessoa e ou até mesmo em forma de slides. E é justamente essa fragmentação totalmente sem linearidade que torna o livro de Egan ainda mais interessante
Resumindo, não deixe de ler, é um livro ímpar e totalmente imperdível!!! ;oD
Ah, ia me esquecendo, A visita cruel do tempo vai virar série na HBO!!!
A visita cruel do tempo
Autora: Jennifer Egan
Tradução: Fernanda Abreu
Editora: Intrínseca
Páginas: 336
Preço sugerido: R$ 29,90
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