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24 de jul. de 2013

Resenha: O Oceano no fim do caminho - Neil Gaiman





Há alguns anos que vivo mergulhada em um encantamento alheio pelos feitos de Neil Gaiman. Mas o meu mergulho se dá ainda mais fundo quando ouço falarem de Sandman. Mas ainda não li, já que resolvi que só farei a leitura no dia em que estiver com os 3 volumes definitivos dessa obra, o que, infelizmente vai demorar um pouco. Mas quebrei o encanto no final do ano passado ao ler meu primeiro Gaiman: Coisas Frágeis 2 e mesmo diante de um certo estranhamento gostei muito da leitura.

Estava prestes a começar a me embrenhar pelos caminhos de Lugar Nenhum quando me caiu nas mãos o e-book  O Oceano no fim do caminho. Fiquei relutante em ler, já que muitas das minhas leituras desses dois últimos meses não fluíram, mas assim que o comecei, não quis mais parar...

26 de out. de 2012

Resenha: Caixa Preta - Jennifer Egan



Conto feito especialmente para ser publicado pelo Twitter. A engenhosa história de espionagem que se passa no futuro, considerada pelo escritor Ian McEwan “a melhor leitura dos últimos anos”, foi publicada diariamente no twitter da Intrínseca (@intrinseca), das 22h às 23h, de 20 a 30 de agosto. Escrito originalmente à mão em um caderno japonês de oito retângulos por página, Caixa Preta foi lançado exclusivamente em e-book no dia 31 de agosto.

Acredito que a essa altura, Jennifer Egan dispense qualquer apresentação, mas se você ainda não sabe nada sobre ela e nem leu nenhum de seus livros, saiba um pouco mais sobre ela aqui.

Caixa Preta, na verdade, foi publicado a partir de anotações que Jennifer fez em seu caderno japonês, e disponibilizado, primeiramente, no perfil de ficção da revista norte-americana  New Yorker no período de  24 de maio a 02 de junho desse ano. E foram necessários 1 ano inteiro para que a autora escrevesse os mais de 600 tuítes! E o que é mais interessante é que, em entrevista, a própria Jennifer alegou “ter uma relação complicada com a tecnologia”, e por puro medo, como afirmou: “Tenho medo da tecnologia de uma forma muito simples, como o medo de não saber usar.”
Pelo visto ela superou muito bem o seu medo, pois o conto é muito bom! Não chega nem perto de A Visita Cruel do Tempo, mas dá conta do recado direitinho!

O conto é uma ficção científica meio triller, onde a protagonista é uma agente secreta à serviço do governo norte-americano, que tem por objetivo passar informações coletadas sobre os esquemas de homens poderosos e violentos. A protagonista, chamada apenas de "gatinha", sujeita seu próprio corpo à implantes de diversos tipos de dispositivos de espionagem, como câmeras, GPS, disco de memória e coisas afins, para conseguir obter as informações das quais precisa sobre os seus alvos.

Narrado em 2ª  pessoa, a escrita é rápida e envolvente, com frases curtas, como era de se esperar por conta da mídia utilizada,  lembra  um manual de instruções ao qual a "Gatinha" vai seguindo e nos conduzindo por seus próximos passos; mas como a autora disse, são "disparos mentais" da protagonista, como se ela fosse repensando alto os próximos passos para desempenhar a contento a sua missão.

Como em toda obra de espionagem em que mulheres são envolvidas, há sempre o apelativo sexual, pois cabe à ela a conquista das informações necessárias ao Governo, independente do que vier a acontecer em decorrência disso. Mesmo sabendo que essa aparente fragilidade que o mundo machista dá à mulher, como sendo presa fácil por ser considerada frágil, e a consequente utilização de sua condição como arma eficaz, me incomoda um pouco. Ainda gostaria muito de ver uma espiã não ser obrigada a se valer da sua sexualidade pra conseguir seu intento! Mas essa é apenas a minha opinião! ;)


     " Como gatinha, às vezes espera-se que você passe de mão em mão.
      Em geral, você passará das mãos de um homem menos poderoso para as de um mais poderoso.
      Maior proximidade com a fonte de dinheiro e controle é um progresso.
      Seu trabalho é o mesmo, não importa nas mãos de quem esteja.
      Se sua vulnerabilidade e impotência chamaram a atenção de um alvo inimigo, acentue-as.
      Pernas sujas e arranhadas podem acentuar sua vulnerabilidade a ponto de causar repulsa.
      Mas podem conseguir para você um banho quente. "  

Com toda certeza Caixa Preta é uma leitura super recomendada, porque se valendo de uma mídia diferente e super dinâmica, sobressaiu-se mantendo o ritmo, o enredo e a atenção sem ser entediante!




Todas as informações e download: Editora Intrínseca



4 de set. de 2012

Resenha: A Culpa é das estrelas - John Green


“Em A Culpa é das Estrelas, Hazel é uma paciente terminal de 16 anos que tem câncer desde os 13. Ainda que, por um milagre da medicina, seu tumor tenha encolhido bastante — o que lhe dá a promessa de viver mais alguns anos —, o último capítulo de sua história foi escrito no momento do diagnóstico. Mas em todo bom enredo há uma reviravolta, e a de Hazel se chama Augustus Waters, um garoto bonito que certo dia aparece no Grupo de Apoio a Crianças com Câncer. Juntos, os dois vão preencher o pequeno infinito das páginas em branco de suas vidas.”


Há algum tempo que vinha pensando se me rendia ao apelo de ler um livro mega comentado, cheio de hiperbólicos elogios regados a sorrisos e lágrimas. Por que eu, como muita gente, fico meio que com o pé atrás quando acontece esse fenômeno em torno de um livro e tal. Mas resolvi comprá-lo quando aproveitei uma mega promoção no Submarino.
Mas não o li logo de cara, primeiro terminei de ler "A visita cruel do tempo"  e ainda cogitei se terminava a leitura de "Pelo mundo todo" ou se começava logo.
Comecei!

E o livro é sim, tudo o que ouvi falar e um pouco mais!!
É um drama, que tem humor negro, romance, aventura e tudo pra cair na malha fina de clichês que acabam mal trançados, mas não!!!! O livro termina com todas as amarrações certinhas, cada ponto no seu devido lugar e um avesso perfeito!

Logo de início somos apresentados a Hazel que é a voz constante do livro, uma menina bem humorada, inteligente, que descobriu um câncer aos 13 anos de idade e que, por uma espécie de milagre, um tratamento com um tipo de medicação, que não tinha surtido efeito na maioria dos pacientes de câncer, nela deu certo, não matando os tumores, mas parando o crescimento dos mesmo, lhe garantido mais algum tempo de vida. Vida essa que ela faz questão de viver como lhe convém, sem se fazer de vítima, estudando,  vendo seus programas de TV favoritos, relendo zilhões de vezes o seu libro preferido e frequentando um grupo de apoio, por imposição da mãe, que quer que a filha se socialize mais. E é nesse grupo de apoio que ela conhece Isaac e através dele, Augustus, um rapaz lindo, inteligente, e que não há quem não queira tê-lo como amigo! E é a partir da amizade desses dois jovens que o livro cresce e ganha mais força.

É claro que desde o início a gente sabe que esse será um livro cujo final não será feliz, ou ao menos aquela coisa de "... e foram felizes para sempre!", mas não se fala do câncer em sim, não há melodramas. O que há, realmente, é o desenrolar da relação de dois adolescentes que sabem que sua relação vai acabar em dor e perda pra um ou pro outro, e que fazem o melhor que sabem pra aproveitar o momento, mas tudo isso escrito de uma forma nada pedante.

Qualquer leitor não terá a menor dificuldade em acompanhar a leitura, que pode soar um tanto quanto existencialista, principalmente nos diálogos de Hazel e Gus, que falam sempre de amor, filosofia, da dor que sentem e da que, inevitavelmente causam e causarão aos que estão à sua volta.

Não há como falar de "A Culpa é das estrelas" sem ser prolixa, é um livro lindo, emocionante e que nos leva a repensar muitas coisas, a querer um casal assim, tão vívidos por perto. Não dá pra  ficar falando muito mais sobre esse livro, sem escorregar em algum tipo de spoiler. Esse é com certeza um livro muito bom, um excelente momento em meio a alguns dias muito ruins!!!
Leiaaaaammm!!!! ;oD


A Culpa é das Estrelas
John Green
Editora: Intrínseca
Gênero: Drama, romance
Páginas: 288

Livraria Cultura,
 Submarino,

30 de ago. de 2012

Resenha: A visita cruel do tempo - Jennifer Egan

A visita Cruel do tempo  -  Jennifer Egan


Da São Francisco dos anos 1970 à Nova York de um futuro próximo, Jennifer Egan tece uma narrativa caleidoscópica, que alterna vozes e perspectivas, cenários e personagens para contar como os sonhos se constroem e se desfazem ao longo da vida. Obra vencedora do Pulitzer, do National Book Critics Circle Award e do LA Times Book Prize no ano de 2011, A visita cruel do tempo é composto por histórias curtas - 13 faixas sobre relações familiares, indústria fonográfica, jornalismo de celebridades, efeitos da tecnologia, viagens e a busca por identidadeversus o esfacelamento de ideais -, interligadas pelas memórias de um grupo de personagens em diferentes pontos de suas vidas.
Bennie Salazar é um executivo da indústria fonográfica. Ex-integrante de uma banda de punk, ele foi

o responsável pela descoberta e pelo sucesso dos Conduits, cujo guitarrista, Bosco, fazia com que Iggy Pop parecesse tranquilo no palco. Jules Jones é um repórter de celebridades preso por atacar uma atriz durante uma entrevista e vê na última - e suicida - turnê de Bosco a oportunidade de reerguer a própria carreira. Jules é irmão de Stephanie, casada com Bennie, que teve como mentor Lou, um produtor musical viciado em cocaína e em garotinhas. Sasha é a assistente cleptomaníaca de Bennie, e seu passado desregrado e seu futuro estruturado parecem tão desconexos quanto as tramas dos muitos personagens que compõem esta história sobre música, sobrevivência e a suscetibilidade humana sob as garras do tempo. 


Mais um dos livros que me chamaram atenção primeiramente pela capa, em seguida, pela frase: "Vencedor do Pulitzer" e por último uma sinopse que li sem querer ler, porque a decisão de levá-lo pra ler nas férias já estava definitivamente tomada.

Falar sobre a passagem do tempo já não é um mote incomum há muito tempo, mas falar da forma como o fez Jennifer Egan é uma coisa completamente diferente. Ela fez um trabalho desavergonhadamente bem feito! Um livro escrito com uma técnica perfeita, onde cada um dos vários personagens têm as vidas amarradas e atreladas uns aos outros de uma forma bem sutil e completamente necessária; fazendo dessa cacofonia de vozes e personagens um dos melhores romances que já li até agora.

Em "A visita...", não há um protagonista, mas sim várias personagens que se cruzam ao passar dos anos e é na vida de cada uma delas que a autora se concentra pra falar de toda uma geração. Cada capítulo tem uma história, voz, contado ao longo dos 50 anos em que se passa o livro e todas essas diferenças que surgem, como se o livro fosse, na verdade, um livro de contos que se complementam. Uns são mais reveladores do que virá acontecer em um futuro próximo do que outros, mas que nos prende à história  como se o livro tivesse garras próprias! 

A personagem que abre o livro e logo de cara nos é apresentada como cleptomaníaca é a Sasha [minha preferida desde o início!], cujo passado desregrado é contado ao longo dos capítulos e através dela é que Egan nos apresenta a Bennie ,o produtor, do qual Sasha é a assistente, Rhea, amiga de Bennie na adolescência), Lou [seu mentor], Jules [o cunhado], Dolly [a ex-chefe de sua ex-mulher] e é assim que uma rede intricada de personagens vai se formando, e que de pronto nos confunde, mas que logo a sensação de estar perdida passa e a gente se situa na voz daquela que narra o momento.

Para se entender bem com esse deleite, é necessário deixar-se cativar, sem preconceitos e expectativas pré-formadas, pelas personagens. Estar pronto para ouvir sua voz da forma como ela  achar melhor se revelar, seja em 1ª, 2ª, 3ª pessoa e ou até mesmo em forma de slides. E é justamente essa fragmentação totalmente sem linearidade que torna o livro de Egan ainda mais interessante

Resumindo, não deixe de ler, é um livro ímpar e totalmente imperdível!!! ;oD
Ah, ia me esquecendo, A visita cruel do tempo vai virar série na HBO!!!



A visita cruel do tempo
Autora: Jennifer Egan
Tradução: Fernanda Abreu
Editora: Intrínseca
Páginas: 336
Preço sugerido: R$ 29,90