20 de jan de 2014

Um útero é do tamanho de um punho - Angélica Freitas


Quem me conhece há algum tempo sabe o quanto sou apreciadora de poesia, e sabe, ainda melhor, que esse blog, Alma do meu sonho, nasceu justamente da necessidade que sempre tenho de exteriorizar o que muitas vezes não me cabe e que vai se precipitar de um modo ou de outro, sejam jorrando em palavras ou lágrimas. Há algumas muitas poesias minhas por aqui, mas o que ainda é escasso, é o meu parecer  ou  o meu  falar de poesias, ainda mais da poesia de terceiros, daqueles a quem aprendi a amar o sentimento grafado no papel.... mas como deixar de falar do segundo livro da gaúcha Angélica Freitas? Duas difíceis ações!

Em Um útero é do tamanho de um punho, Angélica faz uma poesia fina, direta e cheia de verdade, com um humor inteligente, meio que jocoso, com uma doce certa de ironia,  força de alguém que não tem medo das palavras, ao contrário, as usa muito bem e sabe pra onde as está levando.

Como o próprio título sugere, o mote de suas poesias é o feminino, as mulheres, é um livro feminista? Sim, mas não é de e nem há panfletagem. Há denúncia, mas não é algo bruto; ela observa e relata como a mulher é vista, apontada, moldada, o que fica muito claro na primeira parte do livro com O "uma mulher limpa". Angélica reinventa e dá uma nova roupagem ao preconceito, quando o incorpora para expor justamente toda a sua face cômica que já deveria ter sido percebida por todos há muito tempo!



As poesias são cheias de nuances e significados que vão além de sua rima forte e de sua falsa simplicidade.
Falam da forma ostensiva que a mulher é vigiada, seja sobre a forma como se veste, pelo seu peso, sua beleza. Ainda traz poemas sobre a transsexualidade, o homossexualismo feminino, falam das ilusões, desilusões e desejos de toda mulher.

Um  útero não é o mesmo que um punho e muito menos tem a sua força física, isso é claro, mas se você quiser parar e pensar só um pouco, mesmo não estando muito acostumado a isso, vai entender que esse órgão de posse apenas do feminino, carrega toda uma supremacia, tem sim muito poder! Mas ao mesmo tempo, se formos analisar o avesso dessas costuras tão bem tecidas pela autora [e como sugere tão belamente a capa da edição], vamos enxergar que esse mesmo útero deixa de ser algo sagrado, prendendo a mulher à uma única prioridade. 

Como eu falei, não sou boa para falar de poesia, aliás, nem sei se sou boa em fazer poesia, mas Angélica Freitas é, e muito! Ela nos atinge em cheio e, o melhor, sem precisar empunhar um punho fechado!


♥♥♥♥♥

E se você acha que eu realmente não sirvo pra falar de poesia e que a minha opinião não vale muita coisa, veja o que diz o querido Valter Hugo Mãe e ainda se delicie com a sua leitura...











Título: Um útero é do tamanho de um punho
Autora: Angélica Freitas
Editora: Cosac Naify
Ano de lançamento:2012 
Número de páginas: 96 páginas



7 comentários:

Filipe Mafagafo disse...

Deu vontade de ler :) Me falta tanto poesia no dia a dia, tenho vontade de ler mais, consegue me indicar uns livrinhos bons como esse Paty ? :D

beijos ;)

PinkPaulaS disse...

Eu vejo as pessoas resenhando livros de poesia e acho lindo, maravilhoso, incrível e me animo pra ler. Quando pego esses livros e inicio a leitura tenho a impressão de que não se trata do mesmo livro resenhado. Eu não entendo absolutamente nada.rsrsrs

Patrícia Di Carlo disse...

Filipe, poesia é tudo de bom e ainda mais as do Toda poesia, do Leminski, qualquer coisa do Neruda, Cecília Meireles, Adélia Prado, Quintana, Manoel de Barros, Drummond, Vinícius, Pessoa, Emily Dickinson, Sylvia Plath, Benedetti... Muita gente boa, tá vendo só!! ;)

Xerinhos

Patrícia Di Carlo disse...

Paula, quando tentar ler poesia de novo faça esse caminho: leia com o sentimento, sinta e depois releia com a razão, pense, e depois vá mesclando o que sentiu com o que pensou e pronto, verá que sentir é tudo na poesia e a razão da mesma virá naturalmente! ;o)

Xerinhos

Melissa Padilha disse...

Poxa Pati que texto ótimo (como já é de costume aqui no seu blog), agora fiquei curiosa em ler esse livro.
Eu confesso que a abordagem do feminino, do seu mundo, me é muito atrativo, mas ainda não tinha me sentido muito estimulada a ler este livro de poesias.
Ótima resenha ! E vc sabe sim falar de poesia!
bjooos

Patrícia Di Carlo disse...

Ah, Mel, fico feliz que tenha consegui atiçar um pouco mais o seu interesse! E leia, sim, devagar, degustando cada poesia e você não se arrependerá! ;o)

Xerinhos, Lindeza!!!

Bruno Leite disse...

Um grande livro merece uma resenha digna. Parabéns, Patchy, ficou lindo!! <3