28 de fev de 2013

Eu poético: Bordo-me



Em ponto atrás, no estaminé da vida vou me bordando risonha... 
Em cada laçada de linha me entrego ao desejo traçado pelo gotejar 
de teus sonhos imersos em desatinos e sentidos escaldados pelo roçar das peles, 
dos prazeres esparsos e não raros dos corpos em brasa.
Me pinto com pingos de girassóis quentes e despertos....
Te sinto como a tela em branco, que me faz desenhar meus passos débeis..
Pintamos nossos corpos com líquidas tintas de despudorados sonhos e
na tela gozamos a explosão de cores, como os sussurros recolhidos entre os lençóis. 
Nos amalgamamos ao dia claro, clareando os sentidos exauridos dos sem sentidos
desracionalizando a rotina exausta dos que desistiram, sorrindo para os que se concedem
o prazer da loucura dividida, brincando como crianças vadias, que não se importam
em deixar escorrer o tempo por entre seus dedos de meninos...
Moldei teu rosto em papel machê, deixando em branco teus olhos castanhos, teus espelhos
da minha clara alma banhada em beijos roubados da lua indiscreta que nos bisbilhotava.
Fiz de meu corpo farto, quase casto, tua morada e de teus desejos mundanos, para tantos, 
insanos e sujos, mas para nós, puros como lírios dos campos permitidos da cumplicidade.
Bebemos um no outro a alma calma, rara, de noites musicais, onde pirilampos e vaga-lumes
fazem as vezes de maestros, e podemos adormecer entre as almofadas dos sonhos calmos
e inocentes, de afagos puros e decentes, num respirar, frente a frente, o sonho um do outro...




Patrícia Di Carlo


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