23 de out de 2012

Resenha: Eu, Robô - Isaac Asimov



"— Agora olhe, vamos começar com as três leis fundamentais da robótica; as três leis que estão gravadas mais profundamente no cérebro positrônico de um robô. — Na escuridão, seus dedos enluvados contavam cada lei. — Nós temos: Um, um robô não pode ferir um ser humano, ou, por inação, permitir que um ser humano seja ferido.
— Certo!
— Dois — continuou Powell —, um robô deve obedecer às ordens que lhe forem dadas por um ser humano, exceto quando tais ordens entrarem em conflito com a Primeira Lei.
— Certo!
— E três, um robô deve proteger sua própria existência, até onde tal proteção não entre em conflito com a Primeira e Segunda Leis."


Tá bom, eu confesso! Nunca fui muito afeita à ler ficção científica, mas acabei cedendo às incontáveis indicações que um amigo, entusiasta do gênero, me fez, e devo gratidão eterna a ele! ;oD
E começar a  ler ficção científica por esse clássico do gênero, foi a minha escolha mais acertada!

Isaac Asimov acabou por influenciar toda uma geração de escritores e cineastas, por ter criado a palavra robótica e as três leis da robótica, citadas no início do post, e, com isso, acabou por modificar  modo como os robôs eram descritos nas histórias de ficção científica; derrubando por terra a "Síndrome de Frankenstei", crença de que os robôs e todo tipo de criatura artificial seriam uma ameaça aos seres humanos.


O livro é composto por nove contos totalmente independentes, mas que mantêm um elo entre si. E esse elo é a "robôpsicóloga" Susan Calvin que conta, em entrevista para um repórter, um pouco da história da evolução dos robôs e, consequentemente, da empresa "U.S. Robôs e Homens Mecânicos".
Os contos apontam claramente a evolução dos robôs em uma sociedade do futuro, desde os primeiros robôs não falantes, usado como babá até a máquina controladora do mundo; onde podemos perceber, com nitidez, o homem tornando-se escravo da própria criação.

Os principais temas abordados nos contos são: a tecnofobia, que podemos ver logo no primeiro conto entitulado Robbie, que é um robô babá, cuja filha pequena de um casal tem extrema afeição, mas que a mãe não confia e tenta de tudo pra afastar a máquina da filha;  o conflito entre as leis da robótica, no conto Brincando de Pique, onde dois pesquisadores enfrentam problemas com robôs coletores de selênio em marte; o embate entre ciência e religião que é claríssimo no conto Razão, que é um dos meus preferidos; o senso de humor e iniciativa das máquinas em Pegue aquele coelho, o poder telepático e as emoções, em Mentiroso!, seguindo até termos um presidente acusado de ser  um robô em Evidência; e a superioridade funcional dos robôs, já controlando o mundo e tornando os humanos e outras máquinas obsoletas, em O conflito inevitável.

Vários foram os filmes que tiveram influência dessa obra, tais como O Planeta Proibido, que foi o primeiro a ter um robô inspirado nas leis da robótica; Perdidos no espaço, Guerra nas estrelas, O Homem Bicentenário, e o mais recente, eu acho, Eu, Robô, com o Will Smith [que pra mim não tem nada a ver com o livro e do qual eu não gostei!].

Eu, Robô é indubitavelmente um clássico que revolucionou a literatura de ficção científica pelo seu caráter inovador, abordando a robótica e as relações entre seres humanos e as máquinas. Apresenta uma linguagem bem simples e de fácil entendimento, as tramas são bem interessantes e de fácil assimilação até mesmo pra quem nunca teve nenhum contato com o gênero. 
Recomendo com o coração cheio de amor! ;o)


“A robôpsicóloga assentiu com a cabeça. – Vejo que entra no meu campo, como todo político deve fazer, suponho. Mas fiquei triste que acabasse deste modo. Eu gosto dos robôs. Gosto mais deles do que dos seres humanos. Se um robô pudesse ser criado para ser um executivo no serviço público, eu penso que ele seria o melhor possível. Pelas Leis da Robótica ele seria incapaz de fazer mal aos humanos, seria incapaz de tirania, corrupção, de estupidez e de preconceito. E depois que tivesse cumprido o seu mandato ele se retiraria, apesar de ser imortal, porque seria impossível para ele magoar os humanos, deixando-os saber que tinham sido governados por um robô. Seria o ideal.”









Título: Eu, Robô
Autor: Isaac Asimov
Editora: Pocket Ouro, selo da Agir Editora
Páginas: 313







Um comentário:

Márlon Soares disse...

O fato do principal personagem ser uma psicóloga não é à toa. Os robôs são extensões dos sentimentos humanos para Asimov. Os robôs vão permear quase toda a obra asimoviana, que não é pequena. Logo você vai se tornar uma fã de ficção científica. Próximo passo: "Memórias encontradas numa banheira" de Stanislaw Lem (O cara que escreveu Solaris). Beijão.