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6 de ago. de 2014

Duas, uma: Eu





uma parte de mim 
resmunga por movimento
outra parte de mim
grita pela inércia

uma parte de mim
chora a palavra que não chegou aos dedos
outra parte de mim
sorri o silêncio em desdentada boca

uma parte de mim
suspira por um nova vírgula
outra parte de mim
canta o ponto final do exílio

uma parte de mim
esconde o adeus na curva do braço
outra parte de mim
implode pela angústia da espera

uma parte de mim
sugere a singeleza de tantos sins
outra parte de mim
flagela a carne com a torrente de nãos

uma parte de mim
prefere esquecer a outra
outra parte de mim
teimosa que só
grita que irá encontrar-me
em todos os dias que se farão...


Patrícia Di Carlo
Imagem:  kblovsk


30 de jul. de 2014

... silente...






há um silêncio gritando em meu peito
um silêncio daqueles em que falo, 
calo e quase não me apercebo de mim nem dele
há um silêncio doído, rouco, quase louco
um silêncio de casa abandonada
quase tão bem assombrada quanto eu...
há um silêncio que grita em mim 
silêncio que,
por hora,
não quero calar.




Patrícia Di Carlo
Imagem: Desconheço a autoria, mas encontrei aqui:




20 de jan. de 2014

Um útero é do tamanho de um punho - Angélica Freitas


Quem me conhece há algum tempo sabe o quanto sou apreciadora de poesia, e sabe, ainda melhor, que esse blog, Alma do meu sonho, nasceu justamente da necessidade que sempre tenho de exteriorizar o que muitas vezes não me cabe e que vai se precipitar de um modo ou de outro, sejam jorrando em palavras ou lágrimas. Há algumas muitas poesias minhas por aqui, mas o que ainda é escasso, é o meu parecer  ou  o meu  falar de poesias, ainda mais da poesia de terceiros, daqueles a quem aprendi a amar o sentimento grafado no papel.... mas como deixar de falar do segundo livro da gaúcha Angélica Freitas? Duas difíceis ações!

Eu me chamo Antônio - Pedro Gabriel




Acredito que não será exagero começar esse post dizendo que em "terras brasilis" não há quem não saiba ou que não tenha visto ao menos um dos muitos guardanapos cheio de charme e poesia do brasileiro Pedro Gabriel, que criou o Antônio para espalhar todo esse grafismo poético por aqui. E como eu já adorava as postagens dele e por acompanhar diariamente pela fanpage no facebook, fiquei louca por ter e poder chamar de meu, um exemplar do livro também!

5 de jun. de 2012

Eu poético: Vazios...

By Lilyana Karadjova

Calados, meus passos
choram enquanto
finda a tarde morna.

Em segredo
grita a saudade
no amanhecer da noite.

Entre soluços
a noite dorme em
meus braços vazios.



Patrícia Di Carlo

30 de mai. de 2012

Eu poético - Espadas de São Jorge


Image by_mmebuterfly. 


Que seja assim, amor,
espadas de São Jorge ou que 
seja vão o dia...

Bondade é pra quem precisa
da piedade alheia;

a beleza se faz fugaz, mesmo quando
há o gasto e o polido, e a piedade
seja algo cada vez mais mesquinho.

Não me cantes que o beijo, antes tanto




desejado, celebre hoje outros lábios...

Que fossem bucólicas todas as minhas
doloridas cólicas; bastante Eva fui
pra saber de cada uma de minhas dores;

que nas sombras frouxas, sejam 
imaculados os dias resfriados de
desejos, onde a cor cereja, fruta
tão vermelha, ilumina qualquer lugar
vago e sem brilho...

deixo que a moça, que há[?] em mim
abra as pernas; 
quem era ela?
não importa mais...

depois da pétala fria
o cometa é puro gelo,
já não vibra em fogos a supernova,

e a fome, é a inveja de um vampiro.



Patrícia Di Carlo*






* É como Patrícia Di Carlo que assino meus textos e poesias, acho que fica melhor do que Patrícia Gomes... rs




27 de mai. de 2012

Aleatoriedade dominical

Plumbagina sobre papel, by  Susano Correia


Eu lhe ouvi a voz sonora,
como a voz de um querubim:
que doce roçar de beijos
macios como cetim!
Que dedos tão delicados, 
que se imprimiram em mim!


Junqueira Freire [1832-1855]