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27 de ago. de 2012

Eu poético: Habitat

Image by Emil Schildt

Em algum lugar,
Entre um mundo e outro,
No reino da felicidade
E da paz esquecida,
Entre as lembranças
E o dia-a-dia,
No lugar da paz extraviada,
Entre sombras e 
Nuanças libertinas
É nesse espaço vago
E cheio que eu,
Mulher louca e ilesa
Realmente habito...




Patrícia Di Carlo

9 de jul. de 2012

Eu poético: Devasso



não quero colo
nem me calo!

quero beijo quente, suado
a devidos intervalos

aquecer o falo 
entre minhas linhas triangulares

ser curso úmido, único
pra tua língua lenta

quero entreabrir as coxas
e te sentir crescer duro e cheiroso

sorver em minha fissura
o vinho do teu desejo

até que o desejo
queixe-se de dor!




Patrícia Di Carlo
Imagem: Ricardo Alberti


1 de jul. de 2012

Eu poético: Úmido relato



Não se assuste, é que hoje estou assim,
o sangue rasgando por dentro 
num desespero lento, 
lembrando quanto era lascivo o amor,
um carnívoro amor ...


Mas não,
o amor nunca foi assim de verdade,
era só pluma suave, 
a sensualidade de seu dedo 
escorrendo entre meus lábios,
flor implorando sêmen, jardim;
e em meus seios claros, 
como nossas conversas, 
o calor de estrelas como morada. 

Em delicada partida, sangrei,
navios vazios,
e teus cabelos se rebelaram em suave medo,
mítico esquecimento....
No peito um certo úmido relato, e em
brincantes línguas de hálito cuidado
Um senão...

Corri, tropecei, vasculhei jornais
de tardias notícias
remexi no servil destino
só pra saber que já passara o dia,
e as flores recolhidas só cantam que 
o sol só devora onde não há sombra...

E nós?
Não se assuste,
só mais do mesmo...




Patrícia Di Carlo

27 de jun. de 2012

Eu poético: Transborda-me



sou inteira,
não te incomodes em
completar-me;

mas quero-te cântaro
a transbordar-me,

até que o fim se canse
e seja apenas início.



Patrícia Di Carlo
Imagem: Matusciac

21 de jun. de 2012

Eu Poético: Submisso desejo

Magnus Blomster



meu corpo, tal qual hortelã,
estende-se, submisso, no quarto
desocupado onde ainda crepita o
calor dos lábios e o atalho das línguas...

a lacuna deixada pela falta do teu
arde, em covarde possessão, no
triângulo do meu corpo, que, felino,
quer roçar no teu jeito manso,


enxotar o demônio da culpa,
acabar com a usura de tua carne,
preencher esse vazio com teu goso
sorvendo-me inteira...




Patrícia Di Carlo
Imagem: Magnus Blomster


17 de jun. de 2012

Eu poético: Esperando você chegar...




A tua ausência me deixou aqui,
um tanto quanto em paz,
outro punhado feliz, 
e me vi novamente...


Viagens fiz, me revirei do avesso
sorri e chorei comigo mesma,
dancei nua pela casa
e dos teus olhos senti falta...

Disse-me que estaria pra chegar...
Cozinhei teu prato preferido,
pus a mesa com um vinho barato
e deixei tudo a meia luz...

Banhei-me de flores,
orquídea em óleo perfumou-me a pele,
um toque róseo nos lábios
e um sutil arrepio se segue...

Assim o espero chegar,
vestida de flores, óleos
e do vinho barato,
levemente embriagada...




Patrícia Di Carlo 
Imagem daqui




16 de jun. de 2012

Eu Poético - Oleiro



Em tuas mãos
oleadas,
de oleiro,
ponho-me esquecida;

Moldas minhas coxas,
ventre, e é nos
seios que
mais te demoras

E em minha boca
pintas o teu coração
âncora do meu.



Patrícia Di Carlo  [Gomes]
Imagem: Only Princess

13 de jun. de 2012

Eu Poético - Reprodução




na dormência do corpo
recobro pulsando, nas veias,
o tom do mundo

hoje não reconheço os tijolos
expostos de dores alheias, 
os meus, em demolição,
são tão mais antigos


meu passado nada sabe
de meus dramas e de
meus açudes sangrados,
nada lhe falei de dores e patuás

regenero, com metálica força, 
os degraus de meus tratados e
reitero os que julguei imundos

e abro, novamente, os braços
que tinha como rotos.



Patrícia Di Carlo
Imagem: Elton Fernandes

5 de jun. de 2012

Eu poético: Vazios...

By Lilyana Karadjova

Calados, meus passos
choram enquanto
finda a tarde morna.

Em segredo
grita a saudade
no amanhecer da noite.

Entre soluços
a noite dorme em
meus braços vazios.



Patrícia Di Carlo

30 de mai. de 2012

Eu poético - Espadas de São Jorge


Image by_mmebuterfly. 


Que seja assim, amor,
espadas de São Jorge ou que 
seja vão o dia...

Bondade é pra quem precisa
da piedade alheia;

a beleza se faz fugaz, mesmo quando
há o gasto e o polido, e a piedade
seja algo cada vez mais mesquinho.

Não me cantes que o beijo, antes tanto




desejado, celebre hoje outros lábios...

Que fossem bucólicas todas as minhas
doloridas cólicas; bastante Eva fui
pra saber de cada uma de minhas dores;

que nas sombras frouxas, sejam 
imaculados os dias resfriados de
desejos, onde a cor cereja, fruta
tão vermelha, ilumina qualquer lugar
vago e sem brilho...

deixo que a moça, que há[?] em mim
abra as pernas; 
quem era ela?
não importa mais...

depois da pétala fria
o cometa é puro gelo,
já não vibra em fogos a supernova,

e a fome, é a inveja de um vampiro.



Patrícia Di Carlo*






* É como Patrícia Di Carlo que assino meus textos e poesias, acho que fica melhor do que Patrícia Gomes... rs