18 de set de 2011

Conjecturas



Ainda me perco em palavras que não sei ao certo de onde vêm e nem se gostaria de saber. Queria apenas escrevê-las, viessem de onde quer que fosse. Queria seguir o ritmo incessante das minhas mãos correndo pela folha em branco sem ater-me a qualquer obstáculo ou impecilho. Ouvir apenas o som da tinta tatuando o branco, sem remorsos de mácula. Amo o invadir da mente, que borbulha como se fosse inundada por palavras tão cheias de significados e que, por não mais caberem na taça da minha cabeça, escorrem de meus olhos e transbordam pela minha boca, cobrindo-me o corpo, enlaçando-se aos meus dedos curtos.
Sinto-me salva nas mãos dessas palavras que me inundam de repente. É como se elas fossem um bote mágico rasgando a escuridão da noite e do mar em quem me afogo. Nas noites em que não o vejo morro e não entendo bem onde é que minha alma trafega enquanto o corpo, casca oca e inútil, se entrega ao cotidiano que em nada se expressa.
Onde, onde se esconde essa alma que pode ser o melhor que tenho? Porque não a encontro ou então parto de uma vez para esse refúgio que almejo?
Há tantos mistérios nesses olhos negros que carrego e que nunca consegui decifrar. Seria bom neles poder mergulhar ao menos uma vez, me perder em cada respingo de sombra e negror. Seriam eles o atalho para o caminho que busco? Não, janelas não são, sei disso. Nunca, olhando pra eles, vislumbrei o mar, quiçá o céu que almejo...
Alguma coisa agora, nesse exato momento, me engolfa travando a garganta e inunda os olhos e, mesmo assim, não sei dizer o que é. E o peso dessa interrogação quase eterna me torna quase fria, quase morta...


Isso realmente sou eu? Nunca soube dizer... Saberei algum dia?




Patrícia Di Carlo
Imagem: SAB687 via DeviantArt

Um comentário:

Nayana Moraes disse...

Parabéns pelo texto. Bem, assim, digamos, introspectivo.
Possuo um blog literário, com meus escritos: http://naintrospectiva.blogspot.com/