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27 de mar. de 2013

Resenha: Fahrenheit 451 - Ray Bradbury

“Queime tudo, queime tudo. O fogo é luminoso e o fogo é limpo.”


Tantas  foram as vezes em que tive a oportunidade de ler esse livro e deixei passar...
Tantas  foram as pessoas que o indicaram e eu permaneci alheia a ele...
Mas dentre tantas leituras novas, não me concedi o direito de continuar a deixar de encará-lo... E agora sei que fiz muito bem!

O romance foi escrito após a Segunda Guerra Mundial e se passa numa América do futuro, totalmente hedonista, anti-intelectualizada, uma sociedade totalitarista onde se queimam livros, o pensamento crítico foi habilmente desestimulado e extirpado e quem tem opiniões próprias são tidas como, no mínimo, pessoas antissociais.  
Nessa sociedade, quase tudo está fora de controle, pessoas se divertem dirigindo à alta velocidade pelas ruas, sendo violentas e agressivas umas com as outras e uma minoria [seja ela qual for] é quem dita o politicamente correto e pode denunciar livremente o que lhe incomoda. Em casas há muito construídas com um eficaz sistema anti-incêndio, vivem cercadas por telas e interagem com as "famílias", personagens de programas, seriados que praticamente anula a convivência real entre as pessoas. Nessa sociedade os bombeiros ainda existem, mas com uma nova função: a de queimarem livros, o que fazem com um prazer orgasmático!

E é assim que o romance começa, com Guy Montag, o protagonista da história, bombeiro, assim como seu avô e pai, relatando o seu prazer em incendiar livros. Mas a trama toda se modela justamente quando Guy conhece a adolescente Clarisse McClellan, uma jovem de pensamento livre, questionadora, feliz com os pequenos prazeres diários e há muito esquecidos. É Clarisse que o leva pelas mãos, como se fosse a serpente no paraíso, e abre a ele os caminhos para a busca do que é o  verdadeiro conhecimento e a real felicidade.

“Todos devemos ser iguais. Nem todos nasceram livres e iguais, como diz a Constituição, mas todos se fizeram iguais. Cada homem é a imagem de seu semelhante e, com isso, todos ficam contentes, pois não há nenhuma montanha que os diminua, contra a qual se avaliar. Isso mesmo! Um livro é uma arma carregada na casa vizinha. Queime-o. Descarregue a arma. Façamos uma brecha no espírito do homem.”

Depois de alguns encontros com Clarisse Montag muda nitidamente, ao ponto de questionar a real natureza do seu casamento com Mildred, que, por mera distração com suas telas, não percebe estar tomando todo um frasco de medicamento, levando o marido a chamar uma equipe "médica" que, com uma máquina, irá filtrar todo o sangue dela e permitindo-a que continue viva e sem lembranças do que ocorreu.

A partir do questionamento de ser ou não feliz, Montag envereda por outros, como o que pode haver nos livros que os tornam tão desnecessários e tão perigosos. E durante a narrativa vamos sendo apresentados a outros personagens igualmente importantes, como Beatty, chefe dos bombeiros, um homem intrigante, capaz de citar grandes autores e apregoar a sua periculosidade da mesma forma que acende seu cachimbo.
Há também o professor Faber, que é quem o esclarece sobre o verdadeiro potencial dos livros:

“Os bons escritores quase sempre tocam a vida. Os medíocres apenas passam rapidamente a mão sobre ela. Os ruins a estupram e a deixam para as moscas.”

O livro é narrado de forma fluida e o é dividido em três partes: 'A Lareira e a Salamandra', 'A Peneira e a Areia' e 'O Clarão Resplandecente'.
Com um texto que condena não só a opressão anti-intelectual nazista, mas principalmente o cenário político-econômico dos anos 1950, Fahrenheit 451 revela a apreensão de uma sociedade opressiva e comandada pelo autoritarismo do mundo pós-guerra. Além também de ser uma crítica super atual, onde cada vez mais as pessoas se alienam, claro, com a cumplicidade e atuação maçante do nosso estado, onde a diverção e a interação através das telas [tvs, celulares, tablets e afins].
Fahrenheit 451 é a exata temperatura que o fogo atinge ao queimar um livro, ou 233ºC.

“Agora, inalando toda noite para dentro de sua boca aberta e exalando-a pálida, com todo o negror que lhe restava pesado dentro de si mesmo, retomou um passo regular de caminhada.”


♥♥♥♥


Título: Fahrenheit 451
Autor: Ray Bradbury
Editora: Globo de bolso
Nº de páginas: 256 [conta com uma Coda e Suplemento de leitura]





15 de jun. de 2012

Resenha: Jamie Revolução na Cozinha



Pra algumas pessoas que me visitam, não é novidade eu vir a postar  um livro do Jamie Oliver, já que há mais de 2 anos mantenho o blog Dona Amélia, que basicamente fala de receitas, decoração e faça você mesmo.
Depois que me casei, a pouco mais de 2 anos, descobri o grande prazer que é cozinhar e foi assim que meu interesse pela gastronomia surgiu e comecei a me interessar por tudo, amealhei quilos de revistinhas de bancas com receitas caseiras e práticas e partir para os livros, que aos poucos trarei pra cá também.


Jamie Oliver é um dos mais famosos chefs da Grã-Bretanha, não somente por causa dos seus programas de televisão, mas também por iniciativas como o projeto do restaurante Fifteen – quando treinou quinze jovens carentes para se tornarem chefs – ou a campanha contra alimentados processados servidos em escolas. Revolução na cozinha, também é uma série televisiva exibida no canal GNT.

Inspirada pelo Ministério da Comida, criado durante a Segunda Guerra Mundial para “garantir alimento suficiente para todos e educar as pessoas sobre alimentação e nutrição adequada”, a revolução atual proposta por Jamie Oliver é um movimento alimentar de conscientização das “pessoas que pensam que jamais poderiam aprender a cozinhar ou que não seriam capazes de enfrentar um fogão”, baseado em uma idéia batizada de passe adiante, isto é, cada pessoa aprende uma receita e a passa adiante para outras pessoas, divulgando a alimentação saudável em progressão geométrica, bem ao estilo da proposta do filme A Corrente do Bem, lembra?

De forma didática, o livro apresenta receitas conhecidas em versões simplificadas, ilustradas por fotografias que mostram passo a passo a preparação. E para cada uma delas, uma pequena apresentação onde Jamie dá dicas como do tipo “fica ótimo com arroz, batata ou pão” (Salmão assado em cartucho de papel-alumínio com vagens e pesto) ou “é melhor cozinhá-lo para duas pessoas” (Minha carne de porco agridoce), entre outras.

Com relação às receitas, hoje eu posso dizer que dá sim, pra qualquer um que não saiba cozinhar se sair bem com a descrição e apresentação das receitas, sem falar de todas as indicações que o chef nos dá sobre utensílios e o que devemos ter sempre na despensa. E quanto a qualidade das receitas, ao menos as duas que já fiz ficaram realmente uma delícia!

Um adendo que faço é com relação ao tempo de preparo dos pratos indicados. Não vá se estabanar pra  fazer tudo sincronizado, como Jamie indica, faça tudo no seu tempo até adquirir uma boa desenvoltura, assim não corre o risco de estragar a receita, destruir a cozinha e muito menos se machucar! ;o)

Mas o que eu acho ainda melhor nesse livro é que ele tem muitas receitas que são totalmente adaptáveis a qualquer bolso brasileiro. Não são receitas que sejam excepcionalmente caras e o melhor, praticamente todos os ingredientes a gene consegue encontrar por aqui. E falo isso porque sinto dificuldade em achar muita coisa, quando quero, aqui em Uberlândia, que não é uma cidade pequena!
Mas o bom disso também é que com essas  dificuldades a gente vai aprendendo a substituir, a assumir os riscos de combinações inusitadas e de ter experiências gastronômicas incríveis!

Super recomendo!



Título: Revolução na Cozinha
Título Original: Ministry of Food
Subtítulo: Qualquer um Pode Aprender a Cozinhas em 24 Horas
Autor: Jamie Oliver
Tradução:
Editora: Globo
Assunto: Culinária E Gastronomia
ISBN: 9788525046956
Idioma: Português
Tipo de Capa: BROCHURA
Formato: 19,5 x 24,5 cm
Edição: 1
Número de Páginas: 360
Preço: Globo livros, Saraiva, Fnac, Livraria Cultura, Livraria Travessa