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13 de fev. de 2013

Resenha: COTOCO – O diário perversamente engraçado de um garoto de 13 anos


Sinopse: O ano de 1990 na África do Sul será decisivo tanto para o país quanto para o garoto John Milton. Nelson Mandela está prestes a ser libertado, e, aos 13 anos, John acaba de ingressar em um internato de elite só para meninos. Ali, Cotoco viverá muitos dos ritos de passagem que envolvem essa fase da vida, e terá de fazer isso enquanto convive com pais, no mínimo, exóticos; uma avó gagá, e colegas de dormitório para lá de estranhos (com apelidos do tipo Lagartixa, Rambo, Rain Man e Cachorro Doido). O livro apresenta Cotoco em situações bizarras – de mergulhos proibidos no meio da madrugada a acirrados campeonatos de críquete, passando pelas tentativas de conquistar as garotas e por catastróficas férias em família.

Desde o início de 2012 que sempre vejo ou leio alguém falando sobre esse livro, que é a estreia do autor sul africano John van de Ruit. Fiquei bastante interessada por ele e como vi que a proposta para o mês de fevereiro do Desafio Literário 2013 era justamente livros que façam rir, resolvi arriscar.
Só que eu sou mega chata com essa coisa de comédia, não é qualquer piada ou comédia que me faz rir, então, fui com cuidado, sem querer esperar demais desse livro a não ser uma leitura leve e totalmente desopilante.

John Milton é um garoto de 13 anos que vai para um internato por ter ganho uma bolsa de estudos. Chegando ao internato ele é alojado no mesmo dormitório com outros 7 garotos que logo se enturmam e ficam conhecidos em toda escola como ‘Os Oito Loucos’ (Cotoco, Rambo, Cachorro Doido, Simon, Rain Main, Largatixa, Barril e Esponja), só pelos apelidos podemos ter uma certa noção do que esses oito juntos são capazes de aprontar. Cada um dos garotos ganha um monitor chefe do qual passa a ser "escravo" e é claro que isso lhes rendem uns tantos maus bocados.

A vida no internato é cheia de aventuras e desventuras, campeonatos acirrados de críquete, banhos noturnos em lagos [o que é totalmente proibido] e também de mistérios. É gostoso acompanhar o crescimento da amizade e empatia dos personagens, mesmo diante de uma enxurrada de acontecimentos totalmente tresloucados e de como cresce a amizade de Cotoco e Guv, seu professor de Literatura, que além de um bom bebedor de vinho, é um apaixonado pelos livros e sempre incentiva o garoto a ler e a debater bons livros. Essa com certeza foi uma das minhas partes preferidas.

Mas a loucura não fica apenas entre as paredes do internato, está incrustada em toda a família do Cotoco. Seu pai, desde que Mandela foi libertado, acredita que os comunistas tomarão o poder e que os negros vão matar todos os brancos e bebe absurdamente; sua mão não fica atrás quando se trata de beber vinho e no uso de roupas extravagantes e sem contar na Wombat, [avó] do menino, que é totalmente gagá e acha que tem sempre alguém que a está roubando.

A estrutura narrativa é a de um diário, é simples, direta, a leitura flui bem e é gostoso ver o desenvolvimento do Cotoco ao longo do seu ano no internato, nos feriados e férias com a família, nos seus primeiros relacionamentos, sua descoberta sobre as questões políticas e a sua vontade de se afirmar também nesse terreno. Mas devo confessar que achei pesada algumas partes, não quero e nem pretendo cometer nenhum spoiler, mas quem já leu, me diz se sentiu o mesmo ao ler sobre Eva e Rambo, Pike e o Cotoco, á situação um tanto quanto vaga sobre o Rain man. Enfim, entendi que o livro todo se passa pela ótica de um garoto de 13 anos, mas essas  coisinhas meio que destoaram pra mim.

Com certeza ri muito em algumas boas partes, me diverti e recomendo!
Só fiquei triste porque não achei o filme... esse quero muito ver, sentir qual foi a pegada que deram aos 8 loucos!! ;oD



E como falei lá em cima, essa resenha também faz parte do Desafio Literário 2013, referente ao mês de fevereiro, cujo tema é Livros que façam rir.