22 de abr de 2013

Resenha, ou quase: Gonzos e parafusos - Paula Parisot





Já não sei dizer se são os livros com certas temáticas mais densas que estão no meu encalço, ou se sou eu que, até mesmo inconsciente, precise procurar por eles.

Desta feita o tema da loucura ou de algum tipo de insanidade caiu novamente em minhas mãos pelo exemplar do 2º livro publicado pela Paula Parisot, Gonzos e parafusos, que teve inclusive, um lançamento mega badalado, porque a autora se enclausurou num quarto de acrílico dentro da livraria por 7 dias e noites, para viver a experiência de sua protagonista.

O mote de Gonzos e parafusos nos faz mergulhar num mundo introspectivo e margeado pela loucura. A narrativa é em primeira pessoa e não é nada sequencial, ao contrário, são feitas através de digressões da autora, como um diário aleatório de uma psicanalista, que além de pouco ética, pois dá apelido aos seus pacientes de acordo com seus respectivos problemas, ela é também uma suicida fracassada, uma automutiladora.

Isabela, a protagonista, desde cedo se viu mergulhada em desesperos, angústias, solidões e depressões, e, como autoterapia, procurou abrigo nas artes e na literatura, o que tenta justificar as muitas referências intelectuais e artísticas da obra.

O livro chega quase ao pedantismo em alguns pontos, com suas muitas citações e descrições de obras de arte, haja visto que uma das obras de Klimt é a verdadeira obsessão de Isabela, mas não deixa de ser um soco no estômago e de nos levar a refletir, a mergulhar com Isabela nesse mundo de introspecção. A escrita da Paula é fácil e flui, mas eu não consegui me conectar ao livro, acho que estou numa fase de muito bom humor, de extroversão maravilhosa e que se recusou a nublar pra esse mergulho noturno.


♥♥♥


Título: Gonzos e parafusos
Autora: Paula Parisot
Editora Leya Brasil
Número de páginas: 170
Ano: 2010




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