25 de ago de 2010

Recuo

Quase tudo o que vejo e sinto
aceito-os sem reservas e já nem
sei dizer, ao certo, se o faço
por amor, dor ou descaso completo.

Não sou cruel, desajeitada talvez;
Também não lambo feridas, raramente 
faço um afago, admito.
E o vermelho ainda teima em sangrar-me.

Mãos secas e bondodas me descascam, 
meus olhos orvalham e engulo a seco
a verdade que me medra, mas que
há tempos grita em meus ouvidos.

Vazia de rumos, escorro pelo muro
enquanto a noite cospe
estrelas e sombras
e na garganta tudo me engasga.

O comboio do desapontamento e
da tristeza segue rumo marcando
passo em minha respiração;
cubro todos os espelhos,

a noite recua,
meu coração me esmaga
e tudo o que não quero
é fechar-me...

Patrícia Di Carlo
Imagem: ThyMournia

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